A toxoplasmose, popularmente conhecida como a “doença do gato”, é uma das maiores preocupações de quem convive com um bichano. Isso porque, apesar de ser bem conhecida no universo humano, a relação que existe entre a toxoplasmose e gato é encarada como um perigo, já que os felinos são considerados os hospedeiros definitivos da doença. Ou seja, isso significa que o parasita responsável pela toxoplasmose - Toxoplasma gondii - precisa do gato para sobreviver e se multiplicar.

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Mas como será que ocorre o contágio da doença? O arranhão de gato transmite toxoplasmose? Como essa doença se desenvolve e contamina os seres humanos e outros animais? Para explicar todas essas questões, o Patas da Casa entrevistou a médica veterinária Vanessa Zimbres, que é especializada em medicina felina. Tire todas as suas dúvidas sobre o assunto a seguir!

O que é a toxoplasmose em gato e como a doença se desenvolve?

Segundo a veterinária, a toxoplasmose felina é uma doença causada por um protozoário chamado Toxoplasma gondii que afeta a maioria dos animais de sangue quente. Trata-se de um parasita intracelular que precisa, obrigatoriamente, de outro ser vivo para se reproduzir. Esses seres vivos são denominados hospedeiros, que podem ser definitivos ou intermediários.

Os gatos, por sua vez, são os hospedeiros definitivos da doença. Logo, os felinos são os únicos indivíduos onde o parasita realiza a reprodução e gera a produção de oocistos (ovos), que são a forma infectante da toxoplasmose. Eles são eliminados nas fezes e é assim que infectam outros hospedeiros.

Mas como a doença se desenvolve, afinal? No caso dos humanos, Vanessa explica: “A infecção é geralmente assintomática em pessoas imunocompetentes. No entanto, de 10% a 20% delas podem apresentar sintomas de uma leve gripe, que são auto limitantes e não requerem tratamento. Em raros casos pode ocorrer infecção ocular com perda da visão. Já pessoas com o sistema imune comprometido podem desenvolver sinais mais graves que envolvem o sistema nervoso, retina e pulmões.”

Por que a toxoplasmose é conhecida como a "doença do gato"?

Já vimos que no ciclo de vida do parasita Toxoplasma, o gato é considerado o hospedeiro definitivo - o que significa que, para que o parasita se torne infectante, ele precisa passar pelo organismo de um membro da família dos felídeos. Isso, por si só, já é algo que contribui para a fama de “doença de gato”, mas ainda assim é importante entender como acontece o ciclo reprodutivo do protozoário e qual o papel dos felinos nesse cenário. 

“O gato se contamina com o Toxoplasma ao ingerir formas infectantes ou imaturas dele em água contaminada, carne crua contaminada ou presas, como pássaros e roedores, também contaminados. Uma vez que o gato se contamina, ele pode, em um único episódio da vida, eliminar a forma não infectante do Toxoplasma nas fezes, durante um período de 1 a 3 semanas. Essas formas não infectantes levam de 1 a 5 dias no ambiente (em temperatura e umidade propícias) para se tornar infectante e, a partir daí, pode contaminar a água, material vegetal e ser ingerido pelos outros animais", explica a médica veterinária.

Evitar dar carne crua para gatos é um dos principais meios de prevenir a doença. Vanessa complementa: "Os outros animais, quando se contaminam, irão apresentar uma forma não infectante do parasita, que vai se instalar em tecido muscular e nervoso. Por isso, o gato se contamina ao consumir a carne dessas presas contaminadas.”

toxoplasmose: gato bebendo água na rua

Gato com toxoplasmose: é verdade que todos os felinos transmitem a doença?

Para disseminar a toxoplasmose, gato acaba tendo um papel importante na reprodução do parasita, mas isso não significa que todos os felinos vão transmitir a doença. O gato precisa estar infectado para isso acontecer. “O gato contaminado pode eliminar o parasita nas fezes em um episódio da vida dele, durante o período de 1 a 3 semanas. Essas fezes, para se tornarem infectantes, precisam de mais 1 a 5 dias no ambiente e, após isso, devem ser ingeridas para contaminar alguém”, justifica a médica.

Por isso, se você já se perguntou se arranhão de gato transmite toxoplasmose, a resposta é não. O contato com as fezes - direto ou indireto - é a única forma de contágio. “Acariciar um gato, pegar no colo, escovar, não vai transmitir toxoplasmose e arranhões também não. Somente pegamos toxoplasmose do gato se ingerirmos as fezes contaminadas dele”.

Como a toxoplasmose é transmitida para humanos?

Conforme Vanessa destaca, as principais formas de contaminação em humanos são pela ingestão de água e alimentos contaminados com fezes de felídeos contaminados e pela ingestão de carnes cruas ou mal passadas, que estejam contaminadas. Inclusive, o gato se contamina dessa mesma forma. “Outras formas de contaminação de humanos podem ser em transfusão sanguínea, transfusão de órgãos, transplacentária (da mãe para o feto), manipulando matéria vegetal ou solo contaminados por fezes de gatos e até mesmo manipulando carne crua contaminada”.

Por ser uma doença polêmica, principalmente por conta da forma congênita da toxoplasmose, gato muitas vezes é visto como o grande “vilão”, o que é um equívoco.  Mas para quem acredita que gravidez é motivo para abandono de gatos, a resposta é não: não há necessidade de doar o seu gatinho durante a gestação. Se o animal tem hábitos caseiros, nenhum acesso à rua e só se alimenta de ração ou alimentos cozidos, ele não corre o risco de pegar nem transmitir a toxoplasmose.

Sem esses cuidados, porém, é difícil garantir isso, de forma que a toxoplasmose pode oferecer um risco à saúde da gestante e do seu filho. Quando a mãe adquire o protozoário durante a gestação, é importante ficar alerta: “A gravidade da doença para o feto varia do trimestre em que a infecção foi adquirida, sendo a infecção ocular o sinal mais comum de toxoplasmose congênita”.

Como identificar um gato com toxoplasmose?

A toxoplasmose em gatos não é um quadro exatamente comum. Isso acontece porque, apesar de ser o hospedeiro definitivo, a doença raramente se desenvolve no organismo do pet. Ainda assim, vale ficar atento a qualquer alteração que indique um sintoma de toxoplasmose. “Gatos com o sistema imune comprometido, como gatinhos jovens ou portadores do vírus da imunodeficiência (FIV) e/ou leucemia viral felina (FeLV), podem apresentar lesões que dependerão da localização onde o parasita se instalou. As formas mais comuns envolvem o sistema nervoso, olhos, pulmões e fígado”, revela a médica.

E para quem se pergunta se a doença do gato tem cura, a resposta é sim! “Dependendo do órgão afetado, o tratamento da toxoplasmose, que envolve o uso de antibióticos para gatos e anti-inflamatórios, apesar de longo, é bem sucedido”. Mas lembre-se: o diagnóstico, bem como a prescrição dos medicamentos, devem ser feitos por um profissional qualificado. A ideia de automedicar o animal de estimação não é uma opção.

Conviver com um gato com toxoplasmose não é sinônimo de contaminação

Independentemente da região que foi afetada pelo parasita - como a toxoplasmose ocular -, gato nem sempre infecta as pessoas que convivem com ele. Os hábitos de higiene contam muito nessas horas, impedindo a contaminação. “Como leva no mínimo 24 horas para a forma não infectante do parasita se tornar infectante, deve-se remover frequentemente as fezes da caixa de areia do gato, usar luvas para maior segurança e, em seguida, lavar as mãos. Ou seja: hábitos básicos de higiene”.

Então mesmo que o seu gatinho seja diagnosticado com a “doença de gato”, não se preocupe: conviver com o bichano não significa que você será infectado com o Toxoplasma, mesmo porque os felinos eliminam os parasitas apenas por um curto período de tempo. “É improvável ser exposto ao parasita ao tocar em um gato infectado, porque eles não carregam o parasita em sua pele”.

Saiba quais são os cuidados para prevenir a toxoplasmose em gatos

Parece óbvio, mas o cuidado mais importante para prevenir a toxoplasmose em gatos é se atentar a alimentação do animal, oferecendo sempre uma ração de boa qualidade e petiscos que sejam apropriados para o organismo felino. Apesar da vontade de mimar os bichanos de vez em quando com uma comida diferente, sempre se atente ao que o gato pode comer ou não para não cair no erro. Também não se esqueça de disponibilizar água limpa e fresca o tempo todo para esses animais.

É comum que muitos tutores se perguntem se pode dar carne crua para gato, por exemplo, mas a resposta é não, principalmente pelo risco de contaminação da toxoplasmose e de outras doenças. Além disso, mesmo com o instinto predador dos felinos, não se pode deixar que eles cacem outros animais. Quando o gato come barata e outros bichinhos - como pássaros e roedores -, fica mais suscetível a contrair doenças como a toxoplasmose. Por isso, o melhor a se fazer é direcionar esses instintos de caça para brinquedos apropriados.

Redação: Juliana Melo