Saúde

Insuficiência renal em gatos: entenda por que os felinos têm mais predisposição para o quadro

Gato renal: problema nos rins se desenvolve a partir de fatores hereditários ou pode ser adquirida ao longo da vida
Gato renal: problema nos rins se desenvolve a partir de fatores hereditários ou pode ser adquirida ao longo da vida

A insuficiência renal em gatos é um problema muito sério e que exige tratamento por toda a vida do animal. Geralmente o gato com insuficiência renal decorre de um gato renal crônico que não foi tratado corretamente, então é importante ficar muito atento às condições de saúde do seu pet. Mas por que será que os bichanos têm mais chances de desenvolver problemas renais? Como cuidar de um gato renal e evitar a insuficiência renal em felinos? Para esclarecer todas essas dúvidas, o Patas da Casa conversou com a médica veterinária Vanessa Zimbres, da clínica Gato é Gente Boa, que é especializada em atendimento felino.

Insuficiência renal em gatos: por que os felinos têm predisposição ao problema?

Para entender melhor como o quadro se desenvolve, é importante entender um pouquinho da anatomia felina. Conforme a especialista explica, o número de células renais que o gato tem são aproximadamente 400 mil por rim, mas enquanto os humanos e cães tem dois tipos de células que fazem a filtração e reabsorção, os felinos têm somente um tipo. “O formato dos néfrons (células renais) do gato tem uma capacidade de filtração muito melhor, mas esses animais têm uma menor quantidade dessas células. Então quando uma célula é lesionada ou morre, as outras células começam a fazer o trabalho da que morreu. Elas têm uma vida mais curta. O gato tem essa predisposição por ter menos dessas células”.

Quando se trata de um gato renal crônico de origem congênita, porém, é necessário ter em mente que algumas raças tem maior predisposição ainda para desenvolver o problema por questões genéticas. “A doença do rim policístico é uma doença hereditária que, se afeta um dos pais do animal, a estatística é de que pelo menos 75% dos filhotes tenham essa mesma doença. Por isso é importante fazer um teste genético dos pais antes”, revela Vanessa. Sem esse teste e com um dos pais acometidos pela doença dos rins policísticos, as chances de boa parte da ninhada desenvolver o problema renal são altas.

O gato Persa e todas as raças descendentes do gato Persa - como o British Shorthair - são mais predispostas a sofrerem com essa doença, segundo a médica veterinária. Os gatos vira-latas que descendem de cruzamentos com o Persa também entram nessa lista. Vale destacar ainda que isso não se trata de uma deficiência funcional, mas de uma alteração genética: “É um gene dominante que predispõe à doença, e por isso 75% da ninhada costuma desenvolver a patologia. Mas se o filhote receber um gene recessivo, pode se tornar a exceção”.

Insuficiência renal em gatos: qual a diferença da doença renal crônica para a doença adquirida?

Segundo a especialista, o termo “insuficiência renal em gatos” não é mais utilizado, pois quando se trata de um quadro de insuficiência, os rins já não trabalham mais. Logo, ou o paciente tem que fazer hemodiálise, ou virá a óbito. “O termo que a gente usa hoje é de doença renal crônica ou doença renal aguda. A doença renal crônica congênita ocorre quando o paciente já nasce com alguma alteração estrutural nos rins. Essa alteração estrutural pode ser rins de tamanhos diferentes, quando um rim não se desenvolve de forma adequada e a doença do rim policístico acaba sendo mais comum por questões genéticas. Já a doença adquirida é quando o rim sofre alguma lesão, e as causas são inúmeras.”

Sendo assim, qualquer lesão à célula renal - e dependendo também do comprometimento dessas células - pode levar ao desenvolvimento da doença renal crônica. Isso inclui lesões causadas por medicações em doses inadequadas e até mesmo por problemas de pressão. Conforme a idade avança e o gato se torna idoso, as chances do bichano sofrer com problemas renais aumentam. “Como o animal vai envelhecendo, as células vão envelhecendo também. Então o tempo de vida também influencia. Mas ainda assim as principais causas estão associadas às medicações. Medicação que não tem indicação para gato ou que tem que ter um uso muito cuidadoso, com a dose adequada, porque temos que lembrar que é o rim que filtra o sangue. Se eu faço uma medicação inadequada, o rim que tem que filtrar e jogar essa medicação fora, então às vezes o órgão pode ficar comprometido. A hipertensão também causa lesão renal.”

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    Na ausência dos sachês para gatos, os felinos acabam procurando água para suprir essa necessidade, mas costumam ser bem discretos e nem sempre se hidratam de forma adequada. “O tutor pode estimular com o uso de fonte, colocando pedrinhas de gelo, distribuindo vasilhas de água pela casa. Se tem oportunidade de água disponível, eles bebem. Ainda assim, a melhor opção é a ração úmida, porque ele não está ingerindo só água pura, mas outros sais minerais que melhoram ainda mais o processo de hidratação”.

    “Como saber se meu gato tem problema renal?”

    O acompanhamento veterinário é fundamental durante toda a vida dos gatinhos, sejam eles filhotes, adultos ou idosos. Essa é a melhor forma de diagnosticar o gato renal antes de problemas mais sérios surgirem, como a insuficiência renal em gatos. “Dependendo da idade, encontrar alterações nos exames de sangue e de urina acaba sendo um diagnóstico tardio. Em raças predispostas, a recomendação é ultrassom com o gatinho jovem ainda. Essa é a melhor forma de fazer um diagnóstico precoce, pois é possível analisar o tamanho dos rins e verificar a formação de cálculos renais”, orienta Vanessa.

    Ainda assim, tem alguns sintomas que o tutor deve ficar de olho: “Inicialmente o gato começa a beber mais água, então devemos prestar atenção se houver hidratação excessiva. Isso acontece porque o rim não consegue fazer a filtração e reabsorção de forma adequada, então o gato toma muita água e faz bastante xixi. O xixi clarinho em gato é sinal de alerta, pois a urina do felino costuma ser bem concentrada. Esses são alguns sinais para ficar de olho, mas nada vai substituir o exame clínico, histórico do paciente, exame de imagem e exame de urina”. 

    Como tratar a insuficiência renal em gatos e outros problemas renais?

    O gato renal não consegue ser curado, pois essa é uma doença progressiva, mas é possível tratar e controlar a evolução do quadro. “O uso de nutracêuticos, vitaminas e principalmente ômega 3 ajuda a desinflamar o organismo em geral, inclusive os rins. No entanto, quando se trata de um gato renal crônico, não é só fazer a avaliação de ureia e creatinina. O médico precisa ver como está a filtração, o balanço dos eletrólitos e principalmente se o animal está com muito potássio. Então não basta trocar apenas a alimentação, mas o paciente deve ser analisado como um todo para saber aonde o rim está precisando de ajuda”.

    Uma opção de tratamento coadjuvante é a ração renal. Gatos normalmente precisam se adaptar à nova alimentação, que deve ser indicada pelo veterinário, como uma forma de conter a evolução da doença. Também existem outras formas de ajudar o bichano. Uma sugestão da especialista é apresentar o alimento úmido para os felinos ainda no primeiro ano de vida para que ele cresça acostumado com esse tipo de alimentação. Mas, caso o gato renal já tenha sido diagnosticado, é necessário ter atenção para não fornecer qualquer tipo de comida para ele. “Não basta fazer um alimento caseiro batendo no liquidificador e oferecer para o gato. Se é um paciente renal crônico, é importante ter cuidado com o nível de fósforo e nível de cálcio. Por isso o acompanhamento veterinário é imprescindível, não é todo tipo de alimento que deve fazer parte da dieta desses gatos”.

    Vale destacar que nenhum remédio caseiro para gato com problema renal deve fazer parte dos cuidados com o animal. “Nada substitui o atendimento de um veterinário, que deve ser especialista em gatos. Os valores de referência no gato são diferentes dos outros animais. Os gatos perdem muito potássio na urina, a reposição de potássio é difícil de ser feita por via oral, o controle do fósforo também, então às vezes esse paciente precisa receber o soro subcutâneo”, conclui Vanessa. oda e qualquer medicação deve ser prescrita exclusivamente por um profissional qualificado, caso contrário o tutor pode acabar prejudicando ainda mais o estado de saúde do pet.

    Redação: Juliana Melo

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