A queda de pelo em cachorros faz parte do ciclo natural dos fios, porém, quando acontece em excesso, pode impactar diretamente a rotina da casa e a percepção de bem-estar do animal. Muitos pelos espalhados no chão, em móveis e nas roupas indicam que o organismo do pet está passando por um processo que merece atenção. Para ajudar os tutores a lidar com esse tipo de situação, o Patas da Casa conversou com a médica-veterinária Camila Carneiro que explica tudo sobre o assunto a seguir.
Quando a queda de pelo em cachorros é normal (e quando não é)
O ciclo natural de crescimento do pelo de cachorro possui fases de crescimento, repouso e queda. Segundo Camila, ele ocorre durante o ano todo e pode ser influenciado por alguns fatores, como raça, nutrição, saúde da pele e também pelas estações do ano e temperatura. Isso quer dizer que, na prática, todos os cães têm queda de pelos, mas a intensidade pode variar.
“Algumas raças como Pastor Alemão, Golden Retriever, Spitz Alemão e Husky Siberiano possuem pelagem dupla e soltam bastante pelos. Já os Labradores, Pugs e Beagles possuem pelo curto, mas uma renovação intensa. Outras raças apresentam queda mais discreta ao longo do ano”, explica a médica-veterinária.
Em cães saudáveis, a troca de pelos ocorre naturalmente, principalmente no outono e na primavera. Nesses períodos, é comum notar um aumento na quantidade de fios soltos pela casa. No entanto, quando a queda é intensa, contínua ou acompanhada de falhas no pelo, coceira excessiva, caspa, odor forte e alterações na pele, o quadro deixa de ser apenas fisiológico e precisa ser investigado.
“O pelo é uma barreira de proteção, então, quando a pele não está saudável, seja por desequilíbrios nutricionais, alergias, presença de parasitas, estresse ou alterações hormonais, o próprio organismo acelera a renovação dos fios e, consequentemente, aumenta a queda de pelos”, afirma Camila.
Alimentação equilibrada pode prevenir a queda de pelo em cachorros
Para prevenir e controlar a queda de pelo no cachorro, um dos primeiros passos é cuidar da alimentação. Afinal, uma dieta pobre em nutrientes reflete diretamente na qualidade da pelagem, tornando os fios fracos, opacos e mais propensos à queda.
Segundo Camila, rações premium e super premium são as melhores por oferecerem os nutrientes que dão suporte para uma pele íntegra e pelagem saudável. A dica é preferir fórmulas que tragam proteínas de alta qualidade, vitaminas, minerais essenciais e ômega 3 e 6.

Em alguns casos, quando a dieta não supre todas as demandas do cachorro ou há doenças de pele ativas, a suplementação pode ser necessária. Nesses casos, porém, o uso de vitaminas e outros produtos só deve ser feito sob orientação e acompanhamento de um veterinário.
Escovação regular é um hábito simples que reduz pelos soltos
Além do cuidado com a alimentação, escovar os pelos do cachorro de forma regular é uma das formas mais eficazes de controlar a queda. Esse hábito simples remove os fios mortos antes que se espalhem pela casa e ainda estimula a circulação sanguínea na pele, o que favorece a saúde da pelagem.
A frequência ideal de escovação varia conforme o tipo de pelagem:
- Cachorros de pelo curto: 1 a 2 vezes por semana
- Cachorros de pelo médio ou longo: 3 a 5 vezes por semana
- Raças com subpelo denso: escovação quase diária em períodos de troca
Banhos na medida certa ajudam a controlar a queda de pelo
Manter a higiene do cachorro é outro fator que contribui para a saúde da pele, mas banhos em excesso podem ter o efeito contrário. O uso exagerado de shampoos remove a oleosidade natural da pele, causando ressecamento e aumento da queda de pelos.
O ideal, segundo Camila Carneiro, é utilizar produtos específicos para cães, com formulações suaves, e respeitar o intervalo recomendado para a raça e estilo de vida do animal.
Estresse e rotina desequilibrada influenciam a queda de pelo
O estresse é um fator frequentemente subestimado quando se fala em queda de pelo em cachorros. No entanto, mudanças no ambiente, falta de estímulos, solidão prolongada e ansiedade podem desencadear ou agravar o problema. Ao apostar em passeios regulares, brincadeiras, enriquecimento ambiental e uma rotina previsível, é possível reduzir o estresse canino e, consequentemente, a queda excessiva de pelos.
Por fim, é importante reforçar que sempre que a queda de pelo foge do padrão habitual ou vem acompanhada de outros sintomas (físicos e comportamentais), a avaliação veterinária é indispensável. O diagnóstico correto de eventuais problemas de saúde permite tratar a causa do problema e evitar a progressão do quadro.