A linguagem corporal felina é marcada por ações sutis, posturas específicas e reações que nem sempre são fáceis de decifrar à primeira vista. Diferente de outros pets, os gatos expressam prazer, desconforto e confiança por meio de pequenos gestos, como o movimento do rabo, o posicionamento das orelhas e até a forma como se aproximam para interagir.
Dentro desse conjunto de comportamentos curiosos, um em especial chama a atenção de muitos tutores: alguns gatos demonstram uma clara satisfação ao receber tapinhas leves no bumbum. Mas por que será que certos felinos apreciam esse tipo de contato enquanto outros rejeitam completamente? A seguir, o Patas da Casa explica os motivos por trás disso.
Relação com a sensibilidade corporal dos gatos
O corpo do gato possui várias áreas mais sensíveis ao toque, incluindo a base da cauda e a região lombar, que concentram terminações nervosas importantes, ligadas à coluna vertebral. Desta forma, quando o tutor toca nessa região de um jeito leve adequado, pode gerar uma sensação agradável e estimulante para alguns gatos.
Essa sensibilidade explica por que certos felinos arqueiam o corpo, levantam o traseiro ou vibram a cauda ao receber tapinhas suaves próximo ao bumbum. Não se trata de dor ou desconforto, mas de uma resposta física a um estímulo que o organismo interpreta como prazeroso.
Instinto e comportamento herdado
Além da questão anatômica, os gatos domésticos também preservam muitos comportamentos herdados de seus ancestrais selvagens. Durante interações sociais entre felinos, o contato físico na região traseira pode ocorrer em situações de reconhecimento, confiança ou reprodução. Em fêmeas, por exemplo, o estímulo nessa área está associado ao reflexo de lordose, postura típica durante o período de cio do gato.
E vale destacar que mesmo gatos castrados podem manter essa sensibilidade, sem qualquer relação direta com reprodução. O cérebro apenas reconhece o estímulo como familiar e, em alguns casos, agradável, ativando respostas instintivas antigas.

Associação com experiências positivas
Outro fator que explica o gosto pelos “tapinhas” no bumbum é o aprendizado ao longo da vida. Gatos que receberam carinho frequente nessa região desde filhotes podem associar esse tipo de contato a momentos positivos, como afeto, atenção e segurança. Essa associação reforça o comportamento e faz com que o gato passe a buscar essa interação.
É importante lembrar que cada gato constrói suas preferências com base em experiências individuais. Por isso, o que funciona para um felino pode ser completamente indiferente, ou até desagradável, para outro.
Comunicação e busca por atenção
Em muitos casos, os gatos gostam de mostrar o bumbum para se comunicar, indicando confiança e abertura para interação. Ao aceitar o toque nessa área sensível, o bichano demonstra que se sente seguro no ambiente e confortável com quem está interagindo. Isso significa que os tapinhas no bumbum podem funcionar como uma forma de reforçar o vínculo social e é mais frequente em gatos sociáveis, acostumados ao contato humano.
Quando o comportamento pode indicar excesso de estímulo
Apesar de parecer prazeroso, é preciso sempre observar os limites do gato ao dar esses tapinhas leves no bumbum. Em alguns casos, o estímulo contínuo na região traseira pode levar à hiperestimulação. Sinais como cauda batendo com força, orelhas voltadas para trás, pupilas dilatadas ou tentativas de morder indicam que o toque deixou de ser confortável.
Essas reações não significam agressividade, mas sim uma resposta natural do gato ao excesso de estímulo sensorial. E respeitar esses sinais é essencial para manter uma convivência equilibrada e evitar situações de estresse em gatos.
Nem todos os gatos gostam de tapinhas no bumbum (e isso é normal!)
Assim como ocorre com outros comportamentos felinos, o gosto por tapinhas no bumbum não é uma regra. Muitos gatos preferem carinho na cabeça, no queixo ou ao longo do dorso, enquanto outros são mais reservados e toleram pouco contato físico. Personalidade, histórico de socialização, idade e até fatores genéticos influenciam diretamente essas preferências. Reconhecer essa individualidade é fundamental para fortalecer a relação com o felino no dia a dia.