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Saúde

Pancreatite canina: veterinário tira todas as dúvidas sobre essa doença inflamatória que pode ser muito grave

Atualizado em 30 de agosto de 2021 às 16h16

Publicado em 26 de agosto de 2021 às 17h57

Pancreatite em cachorro é uma doença grave, mas tem cura e tratamento.
Pancreatite em cachorro é uma doença grave, mas tem cura e tratamento.

A pancreatite canina é uma doença muito grave e que pode debilitar bastante o animal. Ela ocorre a partir de uma inflamação no pâncreas, que é um órgão fundamental para o equilíbrio do organismo. Diarreia, vômitos, apatia e febre são os sinais mais comuns. A boa notícia é que a pancreatite em cachorro tem cura, e o paciente pode (e deve!) ser tratado. Também é possível prevenir a doença de forma muito simples: basta não deixar nenhum alimento humano ao alcance do pet e resistir a tentação de dar um restinho da sua comida ao seu cachorro.

Mas o que é pancreatite em cachorro? A gente explica: a pancreatite é uma inflamação no pâncreas do cachorro que ocorre quando a produção de enzimas é prejudicada. Ela tem diferentes causas, mas geralmente está relacionada com uma má alimentação. Como consequência, as fezes do cão com pancreatite tendem a ser aquosas ou com presença de sangue, e os vômitos também são comuns. Para entender melhor a pancreatite em cachorro (tratamento, causas e sintomas), entrevistamos o médico veterinário e endocrinologista Gabriel Mora, que atende na Clínica Vet Popular.

Patas da Casa: Como o animal pode pegar a pancreatite canina?

GM: A pancreatite em cachorro pode ser adquirida por alguns motivos. Um deles é uma ingestão rica em carboidratos e gorduras, ou seja, naquele dia que seu animal invadiu a cozinha e comeu um monte de alimentos descontroladamente há um risco maior em desenvolver a inflamação no pâncreas do cachorro. Lembre-se que o pâncreas, além de produzir insulina, um hormônio importante para a manutenção da glicemia, também libera no intestino algumas enzimas para a digestão de alimentos. Quando há uma ingestão alta de gorduras, por exemplo, o pâncreas tem que trabalhar muito para dar conta da digestão. Isso gera tanto esforço que ele inflama, causando a famosa pancreatite em cães.

Outras causas podem estar relacionadas com doenças sistêmicas crônicas, como distúrbios hormonais, principalmente o Diabetes mellitus (doença que não permite que o pâncreas do cachorro produza insulina) e o Hiperadrenocorticismo (doença que libera muito cortisol, o hormônio do estresse, na circulação).

PC: Quais são os sintomas de pancreatite em cachorro?

GM: Os sintomas de pancreatite em cães mais comuns são:

  • Dor abdominal (principalmente em casos de pancreatite aguda em cães);
  • Ofegância (por conta da dor, o animal respira muito rápido);
  • Posição de prece (o animal baixa as patas dianteiras e mantém as traseiras levantadas, parecendo que está rezando - esse sinal é para que seja aliviada a dor abdominal);
  • Febre;
  • Cachorro vomitando e com diarreia;
  • Falta de apetite;
  • Aumento ou diminuição da ingestão de água.

PC: Como funciona o diagnóstico da pancreatite? Cachorro precisa fazer quais exames?

GM: O diagnóstico da pancreatite canina pode ser iniciado com a suspeita clínica do desconforto abdominal. O profissional veterinário solicitará exames de sangue específicos para avaliar a funcionalidade do pâncreas do cachorro e solicitará um ultrassom do abdômen - neste exame, poderá avaliar a inflamação pancreática, que pode apresentar algumas estruturas anatômicas alteradas. O check-up sanguíneo total também é importante, pois caso a pancreatite em cachorro seja uma consequência de alguma doença crônica, é necessário diagnosticar e tratar para melhorar o funcionamento do pâncreas.

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    PC: Como é o tratamento do cachorro doente? Por quanto tempo a pancreatite dura? 

    GM: Na pancreatite canina, tratamento de escolha será sempre internação. Principalmente se estiver causando todos os sinais clínicos, como no caso de um animal com diarreia e vomitando. O cachorro com pancreatite precisa receber fluidoterapia em tempo integral (algo que ajuda muito a tirar a inflamação pancreática e viabilizar que os medicamentos façam efeito); receber analgésicos para a dor, com injeções a cada 6 ou 8 horas ou de forma contínua se a dor for muito forte; e antibióticos para melhorar o funcionamento do pâncreas do cachorro e estabilizar as bactérias intestinais. Caso observe os tipos de vômito em cachorro e diarreia, o paciente deve tomar remédio e receber uma alimentação pobre em gordura.

    PC: O animal ainda precisa de cuidados específicos depois que o tratamento da pancreatite canina acaba? 

    GM: Depois que o cachorro com pancreatite estabilizou a dor e o pâncreas voltou a funcionar, ele pode ser levado de volta para casa. O tempo de internação é muito relativo, vai depender de quanto tempo o animal está com a inflamação, quais alimentos ele ingeriu ou do tipo de doença que pode ter causado a pancreatite, se for o caso. Há animais que conseguem ficar estáveis com dois dias de internação. Já em casos mais graves de pancreatite canina, o pet pode precisar ficar sete dias ou mais. 

    Quando o animal vai para casa, mesmo com a melhora do quadro da pancreatite canina, tratamento precisa continuar com medicamentos. Vai precisar continuar tomando os antibióticos que iniciaram na internação, analgésicos, remédios que controlam vômitos e alimentos específicos para um pós internação. É importante evitar alternativas naturais, como remédio caseiro para pancreatite em cachorro, e seguir as orientações do veterinário.

    PC: Um cachorro com pancreatite pode ficar em contato com outros animais? 

    GM: No caso da pancreatite, cães podem ficar em contato com outros animais sem problemas, pois não é um processo patológico infeccioso. Mas lembrem-se que se o animal que teve pancreatite comeu um alimento que não podia e o outro animal também pode ter tido esse contato. Então, há necessidade de ficar de olho para evitar que o outro animal também desenvolva a mesma patologia, pois a pancreatite em cães pode matar se não for tratada a tempo.  

    PC: Como prevenir a pancreatite canina? 

    GM: Para a prevenção da pancreatite em cachorro, o tutor deve sempre levar em consideração que o alimento gorduroso pode ser o principal causador da doença. Também é preciso um cuidado com o que o cachorro pode comer ou não. A realização de exames periódicos (de preferência, a cada 6 meses) previne doenças crônicas, como Diabetes e Hiperadrenocorticismo, que podem em algum momento desenvolver a pancreatite canina por causar excesso de produção do pâncreas. Uma boa alimentação e um controle do organismo com a visita ao veterinário conseguem propiciar ao seu animal uma melhor qualidade de vida e diagnósticos precoces.

    Redação: Júlia Cruz e Juliana Melo

    Publicada originalmente em: 29/11/2019

    Atualizada em: 26/08/2021

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