Saúde

Veterinário explica os riscos de automedicar o seu animal de estimação

Antes de dar um remédio humano de gripe para cachorro, você já se perguntou quais são os riscos da automedicação em animais?
Antes de dar um remédio humano de gripe para cachorro, você já se perguntou quais são os riscos da automedicação em animais?

Só quem tem um bichinho de estimação sabe como é angustiante quando o seu amigão começa a dar sinais de que está sentindo dor ou com algum probleminha de saúde. Procurar na internet qual é o melhor remédio para dar para o seu cachorro ou gato nessas horas é uma reação quase automática, mas será que essa é a atitude mais correta? Se a automedicação em humanos já é um problema, não se surpreenda que automedicar o seu animal de estimação também não deve ser uma opção. Os riscos de dar remédios para cães e gatos sem as orientações de um profissional podem ser bem graves. Veja o que o médico veterinário Maycon de Barros Faria, do Rio de Janeiro, tem a dizer sobre o assunto!

Remédio humano de gripe para cachorro: será que é uma boa ideia?

Os remédios de animal e para humanos não necessariamente precisam ser distintos e em muitos casos podem ser os mesmos, segundo o veterinário. Entretanto, deve-se levar em consideração a acidez do estômago do animal, que é muito mais ácido do que dos humanos, e os medicamentos que agem diretamente nessa área precisam ter um revestimento muito mais compacto do que o que nós estamos acostumados. “O comprimido precisa desse revestimento para conseguir passar pela acidez do estômago e chegar no intestino, como nos casos de medicamentos de absorção entérica”, explica.

Como cada medicamento age de uma maneira distinta no organismo do animal, o ideal é sempre consultar um profissional veterinário antes de dar um remédio humano de gripe para cachorro, remédio humano para otite canina ou qualquer outro tipo de fármaco.

Afinal, pode dar paracetamol para cachorro ou essa prática é perigosa?

Se por um lado há remédios humanos que não representam grandes riscos à saúde dos animais, por outro, existem medicações que são estritamente proibidas para os bichinhos. O paracetamol é um deles. De acordo com Maycon, esse é um medicamento que pode causar intoxicação no organismo de cães e envenenar os gatos, levando-os a óbito. Portanto, nunca dê paracetamol para o seu pet! Além disso, o diclofenaco e a maioria dos anti-inflamatórios utilizados por humanos são medicamentos que devem ser evitados.

Se o animal ingerir algum medicamento inapropriado, você deve levá-lo imediatamente para o veterinário e explicar o ocorrido. Além disso, Maycon também fala sobre outra medida possível: “Pode-se dar água oxigenada 10 volumes em até meia hora que o animal ingeriu o remédio para que ele vomite, o que reduz as chances de absorção daquela medicação”. Mas depois disso, não esqueça de correr para um consultório, hein?

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    Remédio específico para cães e gatos sem diagnóstico correto também pode trazer consequências

    O mais recomendado é sempre optar por remédios prescritos e indicados para os animais, mas o seu uso indiscriminado também pode ser um problema. Ao menor sinal de doença, muitos tutores acham que o antibiótico é a melhor solução, mas esse pensamento é totalmente equivocado e ainda pode prejudicar o seu bichinho. “Esse tipo de atitude acaba deixando a bactéria mais resistente ao tratamento, sendo ainda mais difícil de solucionar o verdadeiro problema”, conta Maycon.

    Quando isso acontece, o animal precisa ficar internado para que seja aplicado um antibiótico venoso. Por se tratar de um medicamento mais forte, isso pode acabar sobrecarregando o fígado e trazendo danos ao rim, tornando o tratamento mais complexo do que deveria. Portanto, o acompanhamento feito por um veterinário é indispensável para cuidar do seu pet, pois só ele poderá fazer o diagnóstico correto e indicar a melhor medicação para isso, além de determinar a frequência e dosagem correta dos remédios. 

    4 motivos para não automedicar seu pet

    1) Alguns medicamentos, como o paracetamol, podem fazer mal à saúde do animal;

    2) Sem o diagnóstico adequado feito por um veterinário, as chances do tratamento falhar são altas;

    3) Em alguns casos, os sintomas podem até desaparecer, mas isso não significa que o problema foi solucionado;

    4) A dosagem e o período da medicação devem ser estabelecidos por um veterinário. Caso contrário, as bactérias tendem a ficar mais resistentes, dificultando o tratamento.

    Meu cachorro está com dor, que remédio posso dar?

    Ninguém gosta de ver o bichinho de estimação sofrendo, mas antes de dar qualquer remédio pra ele, é fundamental procurar um médico veterinário para descobrir o que o animal de fato tem. Só assim será possível iniciar o tratamento mais adequado, durante o tempo certo e com a dosagem correta - fatores fundamentais para eliminar de vez o problema. “É muito importante levar o animal ao veterinário para que ele investigue, faça os exames necessários e tenha o diagnóstico correto do seu cão”, orienta o médico.

    Redação: Juliana Melo

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