Gato

Fluidoterapia em gatos: tudo que você precisa saber sobre o tratamento usado em gatos renais crônicos

Publicado - 05 Outubro 2021 - 13h19

Atualizado - 11 Abril 2024 - 14h35

Você já ouviu falar em fluidoterapia em gatos? Muito comum em casos de insuficiência renal em gatos, a fluidoterapia em felinos é um tratamento de suporte que promove a hidratação do animal. É um procedimento versátil que pode ser aplicado de diversas maneiras e com fluidos específicos para cada situação. Para tirar todas as dúvidas sobre a fluidoterapia em gatos, o Patas da Casa conversou com a veterinária especialista em gato e dona do Diário Felino Jéssica de Andrade. Se você tem um gato com insuficiência renal ou apenas quer saber mais sobre esse tratamento, reunimos todas as informações importantes sobre o assunto.

O que é fluidoterapia em gatos?

A fluidoterapia em gatos é um tratamento de suporte que tem como principal objetivo regular a quantidade de água e eletrólitos no corpo. Jéssica Andrade explica que a fluidoterapia em felinos é eficaz quando os níveis de água no corpo estão baixos: "O objetivo do tratamento é hidratar o paciente que encontra-se em estado de desidratação”. Os benefícios da fluidoterapia em gatos, portanto, são corrigir desequilíbrios de eletrólitos e água, suplementar calorias e nutrientes, restaurar volumes dos líquidos e trazer de volta à condição de normalidade.

Casos de doença renal em gatos costumam se beneficiar do uso da fluidoterapia

A fluidoterapia em gatos é indicada em quadros de desidratação. Nos casos de insuficiência renal em gatos, é um dos tratamentos de suporte mais indicados. Isso porque o gato com insuficiência renal tem dificuldade em filtrar o sangue corretamente, o que acarreta no acúmulo de substâncias que normalmente são eliminadas pela urina. Com a fluidoterapia, gatos com problema renal têm a concentração dessas substâncias diminuídas e se mantêm hidratados. Esse foi o caso da Mia, a gatinha da jornalista Ana Heloísa Costa. A bichana já lida com a temida doença renal crônica em gatos há quase um ano. “Ela tem a função renal bastante comprometida, então não consegue filtrar tão bem os líquidos e acaba ficando muito enjoada por ter um nível mais alto de toxinas no sangue que o normal. Além disso, gatos com condições renais ruins perdem mais líquido do que deveriam, então têm tendência a desidratar”, explica a tutora.

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O procedimento da fluidoterapia em felinos garante a reposição e o equilíbrio de substâncias no corpo

Existem três etapas no processo de fluidoterapia em gatos. A primeira é a reanimação, geralmente necessária em casos mais urgentes, repondo substâncias perdidas normalmente em casos de choques, vômito e diarreia intensas. A segunda etapa da fluidoterapia em felinos é a reidratação, com a reposição do volume de água e eletrólitos. Por fim, a última etapa da fluidoterapia em gatos é a manutenção, com o objetivo de manter os fluidos a níveis normais.

O soro subcutâneo em gatos e a via venosa são as principais formas de aplicação da fluidoterapia

É importante saber como a fluidoterapia em gatos pode ser aplicada. “A primeira [forma de aplicação] é a administração de soro por via venosa, feita exclusivamente em internamento ou procedimentos hospitalares”, explica a especialista. A via venosa é eficiente e rápida, mas o bichano precisa ser bem monitorado. A aplicação do soro subcutâneo em gatos é a segunda forma possível e uma das mais comuns. “Aplicamos o soro no animal na região subcutânea (entre a pele e musculatura). Pode ser aplicado em consultório em poucos minutos e permite que o animal absorva esse conteúdo durante as horas seguintes”. Ela não é muito indicada para casos de desidratação moderada a grave, mas é bastante eficaz em casos mais leves.  

A Ana Heloísa costuma fazer a aplicação na Mia em casa mesmo: “Aplico o soro de forma subcutânea, ou seja, com uma agulha grossa que fura apenas a pele da Mia e deposita a quantidade de soro prescrita pela vet entre o músculo e a pele. Fica uma 'bolinha' do tamanho de um limão embaixo da pele assim que faço o tratamento. O músculo vai absorvendo esse líquido aos poucos”. A fluidoterapia em gatos pode ser, ainda, aplicada por via oral. Vale lembrar que esse tratamento não serve apenas para felinos. A fluidoterapia subcutânea em cães também é eficaz no tratamento do cachorro desidratado.

 

Fluidoterapia em gatos: a gata Mia precisa ser posicionada em um cantinho para não fugirO uso da guia para gatos ajuda a controlar melhor o animal para a aplicação, já que eles podem tentar fugirO soro subcutâneo em gatos é absorvido pelo organismo aos poucos, por isso é normal ficar umaNa hora do procedimento, a bolsa do soro pode ficar posicionada em qualquer lugar que seja um pouco mais alto

 

O volume e o tipo de soro usados na fluidoterapia em felinos variam de acordo com cada situação

 

No tratamento de fluidoterapia em gatos, a via, o tipo e a quantidade de fluido a ser aplicado variam em cada caso. “Um paciente desidratado possui diversas gravidades. Casos mais graves de desidratação exigem obrigatoriamente a realização da fluidoterapia venosa, realizada no internamento. Em casos mais leves ou crônicos, optamos pela fluidoterapia subcutânea que não exige internação do paciente”, explica Jéssica. Dentre os tipos de fluidos mais comuns, a veterinária destaca o soro subcutâneo em gatos ou ringer com lactato. Além disso, de acordo com cada paciente, podem ser adicionados aos fluidos outros medicamentos. Para aplicar a fluidoterapia em gatos de forma adequada, é preciso prestar atenção em todo histórico de saúde do animal. “É levado em conta as funções hepática e renal e patologias preexistentes para escolher qual tipo de fluido. Para o volume, é considerado a espécie (varia entre cão e gato), peso e nível da desidratação”, esclarece Jéssica.

O excesso de soro subcutâneo em gatos pode trazer complicações

A indicação de volume aplicado na fluidoterapia em gatos deve ser respeitada para que o tratamento tenha efeito e não aconteçam problemas. Uma quantidade menor não garante o restabelecimento da hidratação corporal. Já aplicar demais também pode trazer complicações. “Hidratar um animal em excesso pode causar consequências graves, como o acúmulo de líquido em áreas do corpo que não deveriam. Todo tratamento deve ser estabelecido por um médico veterinário de acordo com o diagnóstico do paciente”, explica a especialista.

Gato com insuficiência renal precisa de aplicações de soro contínuas

O tratamento de fluidoterapia em gatos geralmente pode ser interrompido quando o quadro de desidratação se torna estável. Porém, existem situações que acometem o gato - problema renal, por exemplo - que precisam de acompanhamento frequente. “Existem doenças, como por exemplo a insuficiência renal em gatos, onde o gato mantém um estado de desidratação crônico, não conseguindo manter sozinho a hidratação normal. Por isso, esse tratamento acaba sendo realizado pelo restante da vida do animal”, explica Jéssica.

Durante a aplicação da fluidoterapia, gatos podem ficar estressados

Durante o tratamento de fluidoterapia, gatos podem ficar um pouco inquietos. Apesar de não ser dolorido para o animal, a agulha pode assustá-lo. “A Mia quase sempre reclama da perfuração, chega a rosnar e às vezes tenta me morder. Quanto mais calma e rápida eu conseguir ficar, melhor para o processo”, conta Ana Heloísa. Com o tempo, o gato vai se acostumando. Seguir algumas dicas, como uso de coleiras e guias para gatos, ajuda a deixar o pet mais tranquilo. Outra dica é fazer muito carinho no bichano para que ele se sinta mais confortável. Petiscos oferecidos como reforço positivo também podem ser usados.

fluidoterapia em gatos: gato no veterinário

O soro subcutâneo em gatos pode ser aplicado pelo próprio tutor

 

Principalmente nos casos de doença renal crônica em gatos, é comum que o tutor passe a aplicar o soro subcutâneo em gatos ele mesmo. Para isso, é preciso ter cautela e seguir exatamente as orientações do veterinário. Caso ainda não esteja pronto para aplicar o soro subcutâneo em gatos, é melhor esperar até se sentir confiante. A tutora Ana Heloísa demorou cinco meses para conseguir aplicar sozinha. “Nos primeiros 4 meses do tratamento, eu a levava para fazer a fluidoterapia no veterinário três vezes por semana. Mesmo comprando o soro em farmácia especializada e pagando apenas pela aplicação, o custo era bastante alto. Mas eu não me sentia pronta ainda para aplicar em casa, sozinha. Só no quinto mês é que peguei dicas com vets, observei muito a aplicação e consegui”, conta. 

Mesmo tendo mais prática com a aplicação do soro subcutâneo em gatos, é normal que vez ou outra o tutor não consiga colocar. “Até hoje, 8 meses depois, ainda há semanas que não consigo fazer o furo e mantê-la paradinha por 10 minutos (por que em casa ela fica muito mais arisca que na clínica, então é mais difícil). Quando isso acontece, eu acabo levando para fazer na clínica ou tento alguma técnica diferente”, explica Ana Heloísa. 

Fluidoterapia em gatos tem resultados positivos?

A fluidoterapia em gatos é um tratamento de suporte que ajuda a restabelecer as condições de hidratação do animal de maneira rápida e eficaz. Os resultados costumam ser muito positivos. Ana Heloísa explica que a fluidoterapia em gatos ajudou Mia a ter uma saúde muito melhor: “Ela tinha perdido uns 30% do peso quando estava sem tratamento, não queria comer mais nada e passava o dia todo deitada. Depois do soro e da troca de ração recomendada pela veterinária, ela ganhou mais peso e hoje leva uma vida normal, feliz”. A tutora também conta que, além de ajudar a deixar a Mia mais saudável, a fluidoterapia em gatos ainda foi uma forma de aproximar as duas. “Acaba sendo um momento exclusivo com ela, com muito carinho e cuidado", conta.

Redação: Maria Luísa Pimenta 

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