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Saúde

Gato com raiva: saiba tudo sobre os efeitos da doença nos felinos

Atualizado · 31 de julho de 2020 · 18h29

Publicado · 31/07/2020 · 18h26

A raiva felina é uma doença muito perigosa e requer atenção do tutor
A raiva felina é uma doença muito perigosa e requer atenção do tutor

Todo mundo já deve ter ouvido falar nos perigos da raiva canina, né? Mas a verdade é que os cachorros não são os únicos animais que podem ser atingidos por essa terrível doença. Embora seja um pouco mais difícil de encontrar um gato com raiva, os amantes dos felinos precisam ter em mente que esse é um problema que também pode afetar a saúde do gato e que precisa de muita atenção, principalmente por se tratar de uma doença altamente contagiosa e letal.

Sim, é isso mesmo: na grande maioria dos casos, a raiva felina acaba levando o animal a óbito e, por isso, é fundamental saber como preveni-la e também como identificar um gato com raiva. Para esclarecer as principais dúvidas sobre a raiva em gatos (sintomas, diagnóstico e prevenção), entrevistamos a médica veterinária Izadora Sousa, do Rio de Janeiro. Veja só o que ela nos contou!

Afinal, a raiva em gatos é parecida com a raiva canina?

Quando falamos da raiva, é comum que a primeira imagem que apareça na nossa cabeça seja a de um cachorro raivoso, já que a incidência dessa doença em cães é muito maior do que nos gatos. No entanto, os felinos não estão imunes a essa doença e também têm grandes chances de pegar a raiva felina, principalmente quando se trata de um animal que não está com as vacinações em dia e que tem o hábito de circular pelas ruas com frequência.

Mas existe alguma diferença entre essas doenças, além dos seus transmissores, afinal? Bom, conforme a veterinária explica, a raiva felina e canina se manifestam de formas muito semelhantes: ambas causam uma série de danos ao sistema nervoso central dos animais infectados, que passam a apresentar quadros de agressividade e podem desenvolver uma série de outros sintomas. “Essa é considerada uma das zoonoses mais preocupantes, pois sua taxa de letalidade é de quase 100%”, ressalta Izadora.

Raiva: gato é contaminado por meio do contato com a saliva de um animal infectado

O contágio da raiva felina ocorre basicamente da mesma forma que a canina: “A raiva é transmitida principalmente pela inoculação da saliva do animal infectado na vítima, especialmente por meio de mordidas ou arranhões/feridas pré-existentes que entram em contato direto com a saliva do animal”.

Por isso, os bichanos que têm uma vida ativa fora de casa acabam tendo mais chances de serem pegos pela doença, principalmente se não tiverem devidamente vacinados. Não dá para saber quem o gatinho pode encontrar na rua e, por isso, o risco de contato com animais infectados é grande. Como a agressividade é um dos principais sintomas da doença, as brigas de gatos acabam sendo uma porta de entrada para essa doença, já que mordidas e arranhaduras são inevitáveis nesses momentos.

Além do mais, engana-se quem pensa que somente gatos e cachorros podem contrair raiva. Na verdade, todos os mamíferos são vulneráveis quando se trata dessa doença, inclusive os humanos. Por isso, todo cuidado é pouco quando se trata da raiva felina, para poupar tanto o seu gatinho de estimação quanto a sua própria saúde.

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    Raiva felina: sintomas da doença podem variar

    Antes de mais nada, é preciso entender que os sintomas da raiva felina nem sempre se manifestam de uma maneira única. Ou seja, podem variar bastante em cada caso. No entanto, como essa é uma doença que atinge o sistema nervoso central de maneira bastante significativa, uma das principais formas de perceber se o seu pet foi contaminado ou não é observando se há mudanças no comportamento do gato, ainda mais se ele deu uma fugidinha de casa recentemente. Felinos mais carinhosos e amigáveis, por exemplo, podem acabar ficando mais agressivos de uma hora para outra, deixando os tutores até um pouco confusos com a situação. Mas essa não é a única forma de identificar o problema, já que também é possível perceber outros sintomas. Raiva felina, geralmente, costuma deixar o gato bem debilitado e alguns dos principais sinais disso são:

    - Animal fica apático

    - Falta de apetite e de interesse por água

    - Desorientação mental

    - Fotofobia (aversão à luz)

    - Perda de controle da mandíbula

    - Sialorreia (salivação excessiva)

    - Tremores de membros e/ou paralisia dos mesmos

    - Convulsões

    - Coma

    Ainda assim, a maioria desses sintomas pode ser facilmente confundida com várias outras doenças. Então, como o tutor pode diferenciar um problema de outro? A dica para saber se realmente se trata da raiva felina é ficar sempre de olho no seu amigo de quatro patas! Procure saber se o gatinho se envolveu em alguma briga recente ou se por acaso ele teve contato com outros mamíferos infectados, como morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), guaxinins ou outros animais silvestres. “Nem sempre todos os sintomas irão se manifestar, por isso, é importante buscar ajuda o quanto antes quando há suspeita de raiva”, lembra Izadora.

    Gato: raiva pode demorar até 2 meses para manifestar os primeiros sintomas

    A raiva felina tem diferentes estágios de evolução, sendo que o primeiro deles é chamado de período de incubação. Segundo a veterinária, essa fase nada mais é do que o tempo que existe entre o contágio e o início dos sintomas. Como é algo que vai depender de muitas variáveis, não dá para prever ao certo quanto tempo vai durar a incubação, mas, em média, a doença costuma demorar de 15 dias a 2 meses para que os primeiros sintomas possam ser percebidos. “O tempo de vida após a manifestação dos sintomas é curto, os animais costumam ir a óbito entre 3 e 7 dias”, explica.

    De qualquer forma, ao perceber os primeiros sintomas da raiva felina, é de extrema importância procurar o auxílio de um médico veterinário o quanto antes, tanto para garantir a segurança do próprio tutor quanto para reduzir o sofrimento do bichano. Embora seja uma doença fatal e que não tem quase nenhuma chance de cura, algumas medidas devem ser tomadas para evitar que o gato com raiva transmita a doença para outros seres vivos. O isolamento social do animal, por exemplo, é uma boa forma de fazer isso. Caso você tenha outros bichos de estimação em casa, também é importante mantê-los em quarentena para garantir que eles não foram infectados e nem vão infectar ninguém.

    A vacina contra raiva felina deve ser reforçada anualmente
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    Gato com raiva: diagnóstico só é confirmado com o falecimento do animal

    Ao suspeitar que o seu amigo de quatro patas pegou raiva felina, é importante relatar tudo que você sabe sobre o seu pet e o local que ele habita. “É feita análise dos sintomas, do histórico e da área onde o animal reside (se há relatos de caso, presença de morcegos hematófagos, etc)”, explica Izadora. Isso poderá ajudar a identificar se o bichano realmente foi infectado, mas a confirmação do diagnóstico só poderá acontecer quando o animal for a óbito. “Para confirmar o diagnóstico de raiva felina, deve-se encaminhar fragmentos do sistema nervoso do animal (pós-óbito) para realização de exames laboratoriais específicos que detectam antígenos e anticorpos confirmando o contato com o vírus”, revela a veterinária.

    Vacina contra raiva felina é o melhor método de prevenção

    Por mais que não haja cura nem tratamento para o gato com raiva, essa é uma doença que pode ser facilmente prevenida com uma medida bem simples: vacinação. Segundo Izadora, a vacina antirrábica deve ser dada aos filhotes de gato a partir dos 3 meses de idade, sendo reforçada todos os anos até o fim de sua vida. Inclusive, como isso se trata de uma questão de saúde pública, existem vários mutirões de vacina gratuita espalhadas pelo Brasil, basta se informar.

    Além disso, um método preventivo que pode ser adotado em conjunto com a vacina é evitar que o bichano saia de casa sem nenhuma supervisão, dando preferência a uma criação indoor. “Proteger o animal de possível contato com morcegos, especialmente hematófagos, mantendo o gato dentro de casa ou em ambientes telados, é outra forma de prevenção”, destaca a veterinária.

    Redação: Juliana Melo

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