Histórias reais

Cachorro entende quando o outro morre? Como os cães reagem quando perdem um amigo de quatro patas?

Luto de cachorro: saiba como esse momento pode afetar a saúde e o comportamento do seu amigo
Luto de cachorro: saiba como esse momento pode afetar a saúde e o comportamento do seu amigo

Lidar com a perda de um pet está longe de ser uma tarefa fácil. Mas, se você tem mais de um cachorro em casa, a perda também pode ser bem dolorosa para o animal que fica. Sim, o cachorro entende quanto o outro morre e isso pode impactar diretamente no comportamento e na saúde dele. Os cães são animais extremamente sensíveis e capazes de criar vínculos afetivos tanto com seus humanos quanto com outros animais. Por esse motivo, é importante que o tutor saiba identificar os sinais de luto de cachorro e como ajudá-lo a lidar com a saudade seguindo em frente. Para entender como esse processo acontece na prática, as tutoras Beatriz Reis e Gabriela Lopes compartilharam suas histórias com o Patas da Casa!

Pesquisa afirma que cachorro sente saudade de outro cachorro e pode sofrer com a perda do amigo

Você pode até não acreditar, mas a pesquisa publicada pela professora Barbara J. King na Scientific American revelou que o cachorro entende quando outro morre e isso pode ser percebido com mudanças comportamentais. Embora não existam provas do que o animal realmente compreende o conceito de morte, é possível perceber que o cachorro sente saudade do amigo quando hábitos comuns deixam de fazer sentido para o animal. A falta interação social, por exemplo, é o primeiro sinal de que o seu cãozinho pode estar passando pelo processo de luto. A perda de apetite, aumento nas horas de sono, estresse e ansiedade também podem caracterizar um quadro de cachorro com saudade. Além disso, é possível que o seu pet passe por episódios de busca pelo outro cão de companhia dentro de casa ou em outros locais frequentados pelo animal.

Por outro lado, alguns cães podem se mostrar mais apegados e afetuosos com seus tutores após a perda do amigo. Por isso, é importante ficar atento às mudanças no comportamento canino, acompanhar o seu cãozinho mais de perto e buscar ajuda de um veterinário ou comportamentalista quando necessário.

O cãozinho Nicolas teve episódios de agressividade e estresse depois de perder a Bel

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    O Nicolas era um filhotinho de 45 dias de idade quando aprendeu com a Bel a latir no portão da casa, dormir no travesseiro das donas e até a fazer xixi e cocô no lugarzinho certo. Com 11 anos de diferença, eles acabaram se tornando amigos mesmo com certa relutância da Bel - afinal, ela sempre foi a "dona" da casa antes da chegada do filhote cheio de energia. Eles brincavam, aprontavam juntos e vez ou outra tinham que disputar a atenção da família.

    A Bel faleceu em junho de 2017, cerca de dois anos depois da chegada do Nicolas. O cãozinho sentiu a perda e passou a ter mudanças comportamentais bem visíveis de uma espécie de "luto de cachorro". “O sinal mais visível foi a compulsão alimentar. Desde que a Bel faleceu o Nicolas começou a ganhar peso sem parar e, por isso, acredito que a falta da companhia dela durante as brincadeiras tenha ajudado a agravar o quadro”, conta a tutora Gabriela Lopes. A longo prazo, o Nicolas também apresentou alguns efeitos desse momento difícil. “Ele ficou mais agressivo e ciumento com as coisinhas dele, inclusive com a comida. Além disso, a pelagem dele ficou bem branca nas laterais devido ao estresse e a ansiedade”, revela.

    Para lidar com o quadro do amigo, Gabriela conta que foi preciso de uma boa dose de compreensão e apoio emocional. “Nos aproximamos ainda mais do Nicolas depois da morte da Bel e passamos a fazer todas as vontades dele. Não sei se foi a melhor forma de lidar com o quadro, mas no momento parecia ser o certo”, explica. No entanto, a tutora revela que o ganho de peso e os ataques possessivos ainda acompanham o pet. “Fizemos algumas terapias com florais que melhoraram o quadro por um tempo, mas a longo prazo não observamos muita diferença. Ele é um cachorro com a saúde mais frágil depois da morte da Bel”, afirma. Hoje, o pequeno Nicolas possui outras duas irmãs caninas e cinco gatinhos para lhe fazer companhia. Embora sejam verdadeiras companheiras para o cãozinho, a memória da Bel ainda continua bem presente na vida dele.

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    Na casa da Beatriz Reis, a perda de um dos amigos de quatro patas também foi sentida, mas de maneira diferente. O yorkshire Bolt perdeu o seu eterno parceiro e filho Bidu, que há alguns anos enfrentava um quadro de epilepsia. “Embora tivessem suas 'desavenças', eles eram uma duplinha inseparável. Eles dividiam o mesmo potinho de comida e sempre dormiam juntos, de conchinha um com o outro”, relata Beatriz. Depois da perda, a tutora conta que Bolt se tornou um cãozinho ainda mais carinhoso e apegado. “Ele continua um cão quieto e que se esconde em lugares escuros para dormir, mas sinto que ele faz questão de estar mais presente. As brincadeiras e os momentos ao nosso lado ganharam mais importância para ele”, revela.

    Por esse motivo, Beatriz conta que lidar com o luto de cachorro foi uma tarefa menos complicada do que ela acreditou que seria. “Eu acredito que ele fez muito mais por nós. Ele nos deu carinho, lambeu nossas lágrimas e esteve ao nosso lado”, afirma. Ainda assim, ela conta que a perda do Bidu trouxe mudanças importantes para a rotina da casa e, principalmente, da família: “Nós sempre fomos grudados, mas depois que o Bidu se foi ficamos ainda mais. Nós conversamos com ele e temos certeza de que ele entende tudo!".

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    Depois de saber que o cachorro sente saudade de outro cachorro, você deve estar se perguntando como ajudar o seu amigo peludo a passar por esse momento, certo? Nesse caso, o primeiro passo é acompanhar o seu amigo de perto. Assim como você, ele também vai precisar de todo carinho e suporte para lidar com esse momento. Outro fator a ser observado é a alimentação do cachorro. Quando estão tristes, os cães tendem a perder o apetite, o que pode ser um problema caso o seu amigo fique mais de 48 horas sem se alimentar. Além disso, é importante tentar manter a rotina diária do animal para que ele se sinta seguro e amparado. Embora nem sempre seja uma tarefa fácil, é preciso fazer o possível para manter as atividades do dia a dia do animal.

    Redação: Úrsula Gomes

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