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Vira-lata: o que esperar do comportamento do cachorro SRD?

O comportamento do vira-lata muitas vezes é um enigma. Saiba o que influencia nisso
O comportamento do vira-lata muitas vezes é um enigma. Saiba o que influencia nisso

Todo mundo sabe que o cachorro vira-lata ocupa um espaço gigantesco no coração dos brasileiros. E não é para menos: esses doguinhos são experts em transformar qualquer ambiente em um lugar mais divertido e cheio de amor. Mas, diferente de raças de cachorro que normalmente já tem um padrão comportamental mais bem definido, o vira-lata é uma verdadeira caixinha de surpresas. Por isso, acaba sendo muito difícil saber o que esperar de um cachorro SRD (mas não é totalmente impossível). Para entender como o comportamento do vira-lata é moldado e o que pode influenciar nisso, nós conversamos com a médica veterinária Renata Bloomfield, que é especializada em comportamento animal. Veja só o que descobrimos!

O cachorro vira-lata é dócil?

As fotos de vira-lata não mentem: os cães sem raça definida são uma grande mistura de diferentes raças que resultam em animais únicos. Logo, não existe uma raça de cachorro SRD: o cão sem raça definida, na verdade, tem um pouquinho de várias raças na sua genética. Justamente por isso é bem mais difícil definir o comportamento do vira-lata sem conhecer um pouquinho do histórico dele ou dos seus pais. “Tem vira-lata que é muito amorzinho, mas não são todos que são assim. É algo que depende muito do que eles já passaram ao longo da vida”, conta Renata. Sendo assim, não é possível afirmar com absoluta certeza que todo cachorro vira-lata é dócil e carinhoso, mas a grande maioria costuma ter um temperamento tranquilo e amoroso, de fato.

Outra questão que costuma chamar a atenção das pessoas é a grande variedade de cores de cachorro SRD. Tem vira-lata preto, vira-lata branco, vira-lata com mais de uma cor e, claro, o vira-lata caramelo, que representa mais o Brasil que samba e futebol. No entanto, diferente do que acontece com os gatos, não existe nenhum estudo ou artigo científico que comprove a correlação entre a cor dos pelos do cachorro com a sua personalidade.

O vira-lata é muito agitado ou mais calmo?

Assim como a personalidade do vira-lata muitas vezes é uma incógnita, o nível de energia também vai variar de acordo com cada doguinho. Mas, ao contrário do que se pensa, isso pode acontecer até mesmo com cachorros de raça ou filhotes da mesma ninhada, conforme a especialista explica: “Não dá para falar que os vira-latas em geral são muito ativos ou pouco ativos. Tem alguns que são mais quietinhos e tranquilos, como também tem outros que são mais agitados e com mais energia. Essa diferença não é exclusividade do cachorro SRD, porque às vezes tem filhotes de raça que são da mesma ninhada e tem um irmão mais calmo, e outro mais atentado. Isso já varia muito quando falamos de uma raça específica, então quando a gente amplia essa questão para os cachorros sem raça definida é ainda mais difícil prever”.

O que pode influenciar no comportamento do cachorro SRD?

O comportamento do cachorro vira-lata não é moldado da noite para o dia, mas depende de uma série de fatores que variam desde questões genéticas até o seu histórico de vida. Um cão que foi abandonado e passou muito tempo na rua, ou foi maltratado de alguma forma, por exemplo, pode ter um comportamento totalmente diferente de um cachorro que foi criado em um abrigo desde cedo e não precisou viver nas ruas. “De uma maneira geral, o que mais pesa é tudo que ele já vivenciou, tudo que ele já passou, o que ele não passou - seja um cão de raça ou não. O cachorro SRD é uma caixinha de surpresas, porque geralmente a gente não conhece os pais e não sabe as raças que tem ali. Quando é um vira-latinha que nasce em um abrigo ou na casa de alguém, a gente consegue ter uma noção melhor do comportamento dele”.

Ainda assim, não é totalmente impossível descobrir como um cãozinho vira-lata vai se comportar na fase adulta, mesmo sem saber do histórico dele. A observação nessas horas é muito importante. “Uma coisa que pode ajudar a mensurar isso é avaliar bastante o comportamento do animal no dia a dia. Avaliar como ele brinca, como ele repousa, como ele se alimenta, fazer uma avaliação dele em grupo e até fazer uma avaliação dele individual”, sugere Renata.

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    Além disso, as brincadeiras também desempenham um papel fundamental nesse processo. “Seja uma brincadeira de cabo de guerra ou brincadeira de bolinha, isso tudo ajuda a conhecer melhor o animal. O tutor vai ganhando a sua confiança, o seu respeito e com isso o cachorro ganha mais segurança nele mesmo. O animal com medo é um animal inseguro, então ele tem que ser respeitado. A confiança e segurança devem ser trabalhadas”.

    Já no caso de um cachorro SRD que tem fobia, o cenário é um pouco mais delicado, pois o cãozinho pode acabar se colocando em risco por conta desse medo exagerado. “Nesse caso, eu aconselho levar em um médico veterinário especialista em comportamento animal, até mesmo para poder dar uma qualidade de vida melhor para esse cãozinho. A fobia pode surgir por vários motivos, como mudanças. Às vezes é muita mudança na vida do cachorro, que já passou muita coisa na rua, tem traumas e quando chega em casa o trauma reflete nele. Quando isso acontece, o veterinário pode até indicar entrar com uma medicação específica para ajudar o cão a se adaptar melhor na casa nova”.

    O cachorro SRD pode ser agressivo? O que fazer nessas situações?

    A agressividade não é um traço característico dos cachorros no geral, e isso vale também para o vira-lata. Geralmente esse tipo de comportamento ocorre como consequência de alguma coisa, conforme a médica veterinária enfatiza. “A agressão muitas vezes está ligada à insegurança. Essa insegurança pode ser motivada por medo de que você vá machucá-lo de alguma forma ou pegar alguma coisa que é dele. Também tem a insegurança de achar que você está invadindo o território e o espaço do cão, assim como a agressão por dor. Então a gente tem que entender o motivo do comportamento agressivo para cuidar da causa”.

    Para lidar com um cãozinho vira-lata mais nervosinho, o carinho, o respeito e a paciência são as palavras-chaves. Também é necessário aprender a respeitar o espaço do pet. Se o cachorro não quer interagir, quer ficar mais na dele, tudo bem - é só deixá-lo no seu cantinho e tentar uma aproximação de novo depois.

    Mas atenção: dependendo do nível da agressividade, não deixe de procurar a ajuda de um profissional. Os cães precisam ser compreendidos, e não devem ser descartados só porque se comportam um pouco diferente do que nós esperamos. “Uma coisa é o cachorro rosnar, outra coisa é ele começar a abocanhar o ar, tentando morder. Mesmo que seja um grau leve, é importante ficar atento, porque às vezes ele pode fazer isso num dia, e na outra semana acabar realmente machucando alguém da família. Então se a agressão envolve mordida, tem que levar em um comportamentalista para não deixar ninguém em risco - nem a família, nem o próprio animal. Muitos cães acabam sendo expulsos de casa e podem ter até serem feridos porque muita gente não entende que o que eles realmente precisam é de ajuda”.

    Redação: Juliana Melo

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