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Transfusão de sangue em cães: como é o procedimento, como doar e em quais casos é recomendado?

Publicado - 27 Maio 2020 - 17h42

Atualizado - 27 Abril 2024 - 11h53

Você já ouviu falar sobre transfusão de sangue em cães? Nós estamos tão acostumados a ver campanhas de doação de sangue humano, que às vezes esquecemos que os cãezinhos também podem precisar desse recurso vital. Apesar dos bancos de sangue veterinários não serem tão comuns com os de pessoas, eles existem – principalmente nos grandes centros urbanos – e ajudam a salvar muitas vidas.

A transfusão de sangue em cachorro pode ser necessária por uma série de razões. Além de fatalidades que podem levar à hemorragia, como cortes profundos e atropelamentos, algumas doenças (como a anemia severa) tem a doação de sangue animal como uma das principais formas de tratamento.

Para falar sobre esse assunto tão importante, conversamos com a veterinária Marcela Machado, do Serviço de Saúde Pública Animal de Rio das Ostras (RJ). No fim da matéria, conheça a história incrível do João Espiga, um Boxer corajoso que virou doador frequente de sangue após um acontecimento triste da sua vida.

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Transfusão de sangue: cachorro pode precisar bolsas sanguíneas em quais situações?

Além dos traumas, há casos em que a transfusão de sangue em cachorro com anemia – entre outras condições médicas – é indispensável para restabelecer a saúde do animal. “Basicamente, a transfusão de sangue em cães é necessária quando o animal apresenta um quadro de anemia grave ou como suporte para alguma cirurgia onde há grande perda de sangue. A anemia em cachorros pode ocorrer por vários fatores, como doenças infecciosas ou hemorragias devido a traumas. Entre os distúrbios que causam anemia em cães estão a doença do carrapato, a insuficiência renal e as verminoses severas”, explica a veterinária Marcela Machado.

Há outras particularidades que envolvem a anemia e a transfusão de sangue em cães?

Em alguns casos, a alimentação de cachorro pode levar um cão a precisar de uma doação de sangue. “A questão nutricional também pode trazer anemia e fazer com que o cão necessite da transfusão de sangue. Se o animal não tem uma alimentação balanceada, ele pode desenvolver a chamada anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro no sangue, que afeta a produção de hemácias”, alerta a veterinária.

“Há algumas doenças autoimunes também, como a anemia hemolítica, que ataca as hemácias do próprio organismo do animal. No caso de anemia mais severa, quando não há tempo para o corpo produzir mais hemácias a tempo de se recuperar fisiologicamente, a transfusão é fundamental para salvar a vida do cão”, completa Marcela.

Há riscos de transfusão de sangue em cães?

Antes da transfusão, são realizados diversos testes e análises no sangue. Mesmo assim, algumas manifestações clínicas podem acontecer, após ou durante o procedimento. O cão pode apresentar, por exemplo, taquicardia. febre, dispneia, hipotensão, tremores, salivação, convulsão e fraqueza.

Há tipos sanguíneos e compatibilidade entre cães como acontece na transfusão de sangue humana?
Assim como o nosso sangue tem tipagens diferentes, o dos cães também, como explica a veterinária: “há diversos tipos sanguíneos, mas são mais complexos. São sete variedades e subvariedades principais que compõe o sistema DEA (sigla em inglês para “Dog Eritrocyte Antigen”, ou “Antígeno Eritrocitário Canino”, em português). São elas: DEA 1 (dividido nos subtipos DEA 1.1, 1.2 e 1.3), DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7”.
Na primeira transfusão, um cão doente ou acidentado pode receber o sangue de qualquer outro cachorro saudável. No entanto, a partir das próximas, algumas reações podem surgir e o pet só poderá receber um sangue compatível com o seu.

Como é realizado o procedimento da doação de sangue?

Para que um cão receba a transfusão de sangue, é preciso que outros cachorros e seus tutores solidários se disponibilizem para doar. Da mesma maneira que acontece com os humanos, o procedimento é simples, rápido e indolor. “A transfusão é feita de maneira muito parecida com a medicina humana. Um cão doador saudável tem o seu sangue coletado e armazenado em uma bolsa de sangue que, depois, é transfundida no cão receptor. O procedimento, tanto o de coleta como o de transfusão, deve ser sempre realizado por um profissional de saúde animal”, conta a médica veterinária.

Como um cachorro pode se tornar um doador de sangue? Quais são os critérios?

  • Ter entre um e oito anos de idade;
  • Pesar mais de 25 quilos;
  • Estar protegido contra ectoparasitas;
  • Ser saudável, com o estado de saúde comprovado por exames;
  • Estar com a vacinação e vermifugação para cachorro em dia;
  • Não estar prenha ou no cio, no caso das fêmeas;
  • Respeitar o intervalo entre as doações de três meses;
  • Não ter realizado transfusão prévia ou cirurgias nos 30 dias antes da doação;
  • Ter temperamento dócil para que o procedimento possa ser feito com tranquilidade pelo veterinário e não cause estresse ao animal.

Há bancos de sangue pet disponíveis para levar um cãozinho para ser um doador?

Os bancos de sangue animal, especificamente os de cães existem, mas são muito escassos se compararmos com os bancos de sangue humano. Porém, as transfusões podem ser realizadas em hospitais e clínicas veterinárias equipadas para realizar o procedimento.

 

Pata de cachorro com cateter intravenoso inserido

 

Doação de sangue: cachorro João Espiga é um doador frequente

 

João Espiga, um Boxer muito espirituoso de seis anos de idade, tem como tutor o jornalista Paulo Nader. Ao enfrentar a dificuldade de conseguir sangue quando uma de suas cadelas adoeceu, Paulo tornou o seu cachorro um doador de sangue frequente. Mas quem vai nos contar essa história em primeira pessoa, ou melhor, em “primeiro cachorro” é o próprio João Espiga – com a ajuda de seu pai humano para digitar, claro!

"SOU HERÓI PORQUE DOU O MEU SANGUE PARA OS AUMIGOS"

Eu me chamo João Espiga. Acho que meu tutor escolheu esse nome porque ele amava o seu primeiro cão Boxer, o saudoso Sabugo que viveu 13 anos, um mês e um dia. Nasci na Fazenda Bela Vista, um cantinho em Nova Friburgo (RJ), onde moro até hoje. Adoro esse lugar.

Tenho seis anos e brinco o dia todo. Claro, durmo dentro de casa e, de preferência, na cama do meu dono. Não abro mão de receber três refeições diárias e alguns petiscos. Por isso, sou forte igual ao meu pai! Sou neto do Barão e da Maria Sol e filho do João Bolota e da Maria Pipoca, e ainda tenho um irmão chamado Don Conan.

Mas acho que você quer saber é porque me chamam de "herói". Essa é uma longa história, que vou tentar resumir em poucas palavras: tudo começou numa virada de ano quando descobrimos que a minha mãe, a Maria Pipoca, tinha uma doença grave nos rins.

Foi uma luta de nove meses para tentar salvá-la. Ela frequentou as melhores veterinárias de Friburgo e do Rio de Janeiro e teve a assistência dos melhores especialistas. Ela lutou, todos lutamos, mas não teve jeito. Ela foi embora muito nova, com apenas quatro anos e meio.

Foi nessa luta dramática que descobrimos a importância de doar sangue, assim como fazem os humanos de bom coração. Vocês não imaginam quantas vezes minha mãe, muito debilitada, precisou de sangue. Muitas vezes. Durante as emergências, compramos várias sacolas de sangue (sempre muito caras) e assim, eu, meu pai e meu irmão acabamos nos tornando doadores. Todo cão saudável pode ser (consulte seu veterinário). Ali descobri como é importante ajudar o próximo – e isso virou hábito desde então; faço questão de doar sangue duas vezes por ano para os “aumigos”.

Não dói nada e ainda dou um passeio de carro até a veterinária. Sou sempre recompensado com um petisco e ganho elogios pela minha coragem. Sou igual ao meu pai, um bom cachorro. Nas redes sociais nossas doações fazem muito sucesso. É importante dizer que não cobro nada e faço por prazer.

Além de ter aprendido muito com o drama da minha mãe, fiz questão de fazer uma pesquisa na internet sobre a importância da doação: sangue salva vidas! E já salvamos várias vidas de “aumigos”! Sem falsa modéstia, adoro a minha fama de cão herói!

Como tornar o seu cão um doador de sangue

Para o cachorro doar sangue, é necessário que ele cumpra todos os critérios de doação, como idade, peso e boas condições de saúde. Procure saber se a sua cidade tem um hemocentro veterinário ou outro local especializado para coletar e armazenar bolsas de sangue. Caso não encontre, fale com um profissional de saúde animal sobre a sua disponibilidade para cadastrar o seu pet como doador em potencial.

Além de ajudar a salvar a vida de três ou quatro cães, o animal que doa sangue recebe um check-up período gratuito, incluindo hemograma completo, teste de função renal, exames de leishmaniose canina, dirofilariose, Lyme, ehrlichia canina (doença do carrapato) e brucelose.

Redação: Guilherme Segal

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