Saúde

Sarna de cachorro: veterinária responde 11 perguntas sobre a doença que atinge os cães

A sarna em cachorro muitas vezes causa coceira, mas é algo que vai depender do tipo da doença
A sarna em cachorro muitas vezes causa coceira, mas é algo que vai depender do tipo da doença

Uma das grandes preocupações de qualquer pai de pet é a sarna em cachorro. A doença de pele é bastante comum, causada por ácaros que se alojam em diferentes partes do corpo do animal e causa grande desconforto. Mas, apesar de ser um quadro comum, a sarna de cachorro costuma despertar dúvidas sobre a sua transmissão, tipos de sarna e até mesmo quanto ao tratamento e prevenção da patologia. Por isso, para esclarecer os mitos e verdades sobre a sarna canina, o Patas da Casa conversou com a médica veterinária Marcia Lima (do canal @DCãoeGato ), que é especializada em dermatologia veterinária.

1) É verdade que existe somente um tipo de sarna em cachorro?

Marcia Lima: Não. A sarna de cachorro, na verdade, é o nome da doença causada por alguns ácaros. O cão pode ser parasitado pelo ácaro que vive no ouvido e, nesse caso, chamamos de Sarna Otodécica. Além dessa, o cão também pode adoecer com as sarnas Sarcóptica e Demodécica.

2) A sarna sarcóptica pode ser transmitida para os humanos?

M.L.: Sim, a Sarna Sarcóptica, ou Escabiose, é causada por um ácaro chamado Sarcoptes. Bem pouco exigente quanto ao tipo de hospedeiro e por habitar a superfície da pele, esse ácaro passa fácil, pelo contato, de pessoa para pessoa, para o cão, para o gato e para vários outros animais. Sentar-se no mesmo local que alguém parasitado ou compartilhar roupas e utensílios de difícil higienização (tecidos, papelão, pelúcia etc) pode também favorecer a transmissão.

3) Existem outros tipos de sarna canina que também podem ser transmitidas para os humanos?

M.L.: Não. O ácaro causador da Sarna Otodécica é um pouco "mais exigente" que aquele da Sarna Sarcóptica e apenas aceita se alimentar do cerúmen de cães, gatos e furões. E o ácaro causador da Sarna Demodécica é tão, mas tão "exigente", que classificamos como ácaro espécie-específico, porque só parasita uma determinada espécie. O ácaro Demodex do cão é só do cão, assim como o Demodex do ser humano é só nosso. Sim, quase todos os mamíferos possuem a sua própria Demodex específica, como parte da microbiota da pele. Assustador, não é mesmo?

4) Coceira intensa é o único sintoma da sarna de cachorro?

M.L.: Não. O sintoma vai depender sempre de onde o causador da sarna canina habita e do que ele se alimenta (do estrago que faz no local). Assim, a sarna de ouvido habita o conduto auditivo externo e alimenta-se de cerúmen. Em pequenas quantidades não incomoda o cão, mas o comum é haver muitas centenas delas dentro da orelha, caminhando, passeando e mastigando a gordurinha do cerúmen. Nesse caso, causa enorme desconforto e coceira.

A sarna Sarcóptica, ao contrário, mesmo em pequenas quantidades, causa muita confusão e coceira na pele, porque enquanto toda a família do ácaro habita a superfície e se alimenta da queratina da "casquinha de fora da pele", as fêmeas fazem túneis para colocar os ovos bem protegidos. Elas fazem como toupeiras, escavando túneis de até 1 centímetro de extensão. Inflama e coça demais. E conforme o animal esfrega, carrega parte da família dos ácaros pra um novo local do corpo.

E, por fim, a Sarna Demodécica. Essa praticamente não causa coceira, nem desconforto. A Demodex cresce e multiplica dentro do folículo piloso, causando apenas falha na pelagem. Depois de muitos folículos parasitados, é comum ocorrer, como consequência, a infecção local pelas bactérias da superfície da pele. Nessa situação, o cão coça um pouco, pela piodermite oportunista.

5) Um cachorro com a imunidade baixa tem mais chances de desenvolver a sarna demodécica?

M.L.: Na verdade, o ácaro Demodex, causador dessa sarna em cachorro, é parte da microbiota da pele normal, ou seja, habita e protege a pele da sua espécie favorita. Mas em algumas situações de fragilidade do sistema imunológico (no cão, é uma condição genética que faz com que não sintetize alguma defesa natural contra essa sarna apenas), pode multiplicar demais e superpopular a pele, deixando de proteger e passando a parasitar o folículo piloso.

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    6) A sarna canina otodécica - ou sarna de ouvido - pode ser confundida com a otite? 

    M.L.: Como a otite é a inflamação do conduto auditivo, então tecnicamente, a Sarna Otodécica é uma otite parasitária. As outras causas de inflamação do ouvido do cão causam alterações muito parecidas. Antigamente, acreditava-se que a presença de muito cerúmen, de cor escura (e os livros citavam inclusive o termo: escura como "borra de café) era indicativo de Sarna Otodécica, porém com o avanço da tecnologia, hoje sabemos que independentemente da causa da agressão, haverá maior produção de cerúmen como mecanismo de primeira defesa e a cor é irrelevante, por não ser patognomônica/exclusiva de nenhum dos tipos de otite.

    Hoje, a melhor forma de identificar o tipo de otite (fúngica, bacteriana, seborreica/ceruminosa, alérgica ou parasitária) é fazer um exame de triagem bem rapidinho e pouco invasivo, chamado Citologia Otológica, com auxílio de um microscópio. Porque nem toda otite causa desconforto ou sinais aparentes, vale pontuar a importância de sempre pedir ao médico veterinário por esse exame, como rotina, durante as consultas preventivas dos cães.

    7) É verdade que a sarna notoédrica é uma doença exclusivamente felina?

    M.L.: Não. Enquanto o primo, Sarcoptes, pega quase qualquer um que encontrar, o ácaro Notoedres tem um gosto mais refinado e tenta "manter a dieta" , preferindo a pele dos gatos. Mas se não tiver gato, vai cachorro e vai ser humano mesmo! A escabiose causada pela Notoedres não é específica dos gatos, sendo uma zoonose tão desconfortável quanto a causada pela Sarna Sarcóptica. 

    8) O remédio para sarna de cachorro é sempre a melhor opção para curar a doença?

    M.L.: Sim e não. Lembrando que sarna é o nome da doença, e com os medicamentos ditos acaricidas, podemos matar os ácaros que estiverem parasitando a pele do cão. Nesse sentido, sim, os medicamentos bem administrados e pelo tempo correto sempre curam a escabiose e a Sarna Otodécica. Porém, apesar de eliminar os ácaros causadores da Sarna Demodécica e controlarem as alterações da pele, o remédio para sarna em cachorro acaricida não é capaz de curar a fragilidade/característica genética do animal. Nesse caso, temos cura clínica e parasitológica, mas não a cura genética, e em algum tempo, a pele pode voltar a ficar parasitada novamente. 

    9) Existem produtos específicos - como shampoos e sabonetes - para tratar a sarna em cachorro?

    M.L.: Existem, mas entendendo que cada ácaro habita um local da pele diferente, fica fácil de perceber que um shampoo para sarna canina não será eficaz dentro do conduto auditivo e nem será capaz de alcançar o interior do folículo piloso, onde o ácaro Demodex está. Com raras exceções, os sabonetes em geral não têm pH adequado para a pele dos cães. Shampoos podem ser utilizados na pele de quem tem escabiose, mas o efeito acaricida desse tipo de produto cessa com o enxágue. Hoje temos à disposição opções mais seguras para o cão e com efeito protetor muito maior, chegando a vários meses, inclusive. 

    10) A alimentação pode ajudar a proteger contra a sarna canina?

    M.L: A boa nutrição com certeza melhora a qualidade da saúde do cachorro, tanto dos pelos quanto da pele, mas não o suficiente para garantir que se encostar numa Sarcoptes "cheia de fome" não haverá risco de desenvolver esse tipo de sarna canina, por exemplo. 

    11) É possível prevenir a sarna em cachorro?

    M.L.: Culturalmente, ninguém faz medicação preventiva de piolhos nos filhos quando começam a frequentar a escolinha, mesmo sabendo do maior risco da parasitose na primeira infância. Sendo o cão também um membro da família, é de se esperar o espanto e a resistência das pessoas, mas a melhor prevenção para a sarna de cachorro atualmente é o uso de antiparasitários seguros durante toda a vida do animal. A qualidade de vida do cão depende de uma boa saúde e para isso a prevenção constante das parasitoses, inclusive das sarnas de pele, é essencial.

    Redação: Juliana Melo

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