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Vermífugo

Platinosomose felina: veterinária esclarece tudo sobre a doença causada pela ingestão de lagartixas

Atualizado · 18 de Outubro de 2021 · 14h43

Publicado · 01/04/2021 · 16h22

A platinosomose em felinos é uma doença que precisa de atenção. Entenda mais sobre o quadro
A platinosomose em felinos é uma doença que precisa de atenção. Entenda mais sobre o quadro

Você sabe o que é platinosomose? Conhecida popularmente como a doença da lagartixa em gatos, a enfermidade afeta os felinos domésticos e é causada por um parasita. O trematódeo Platynosomum fastosum é considerado um dos parasitas mais perigosos para os bichanos, podendo habitar os ductos biliares, vesícula biliar e intestino delgado dos pets. Para você entender mais sobre essa doença e como ela afeta a saúde animal, conversamos com a médica veterinária Vanessa Zimbres, da clínica Gato é Gente Boa.

Como ocorre a transmissão da platinosomose em felinos?

A platinosomose felina é um problema de saúde mais frequente em países com clima subtropical ou tropical, como é o caso do Brasil. Isso, no entanto, não impede que gatinhos do mundo todo sejam atingidos pela doença. Essa enfermidade não é tão conhecida pelos gateiros, mas não deixa de ser muito séria e complexa. Para entender melhor sobre, a veterinária Vanessa explicou um pouco mais sobre como ocorre a transmissão da doença. “Durante o ciclo de vida do parasita, existem 3 hospedeiros intermediários e, por último, os gatos que são os hospedeiros definitivos. O gato adquire a verminose depois de ingerir hospedeiros intermediários do parasita e, dentre esses hospedeiros, podemos citar os lagartos, sapos e lagartixas”, explicou.

Além dos lagartos, sapos e lagartixas, o parasita também usa o caracol da terra, besouros e percevejos como hospedeiros intermediários. Ao chegar no organismo dos gatos, o verme adulto libera ovos que vão parar no intestino dos felinos e são eliminados junto com as fezes do pet. Os ovos liberados amadurecem e penetram no primeiro hospedeiro intermediário, o caracol. Após cerca de 28 dias no primeiro hospedeiro, o verme se multiplica e volta para o solo até acabar sendo ingerido pelos besouros e percevejos. Esses insetos são consumidos pelas lagartixas e sapos, que na sequência são caçados pelos gatos. O verme fica no organismo dos bichanos até se tornar adulto e depositar ovos, dando início a um novo ciclo.

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    Platinosomose: quais os sintomas da doença?

    A intensidade dos efeitos da platinosomose em gatos dependerá da quantidade de vermes presentes no organismo. “Muitos animais podem ser assintomáticos ou apresentarem sintomas inespecíficos, como perda de apetite, emagrecimento, letargia, vômitos e diarreia. Em grandes infestações pelo verme, pode haver obstrução das vias e vesícula biliar, resultando em icterícia (pele e mucosa amareladas), hepatomegalia (aumento do volume do fígado), cirrose, colangiohepatite e até morte”, afirmou Vanessa.

    Como é feito o diagnóstico da platinosomose felina?

    Contar a rotina e personalidade do animal na consulta com o médico veterinário é essencial para que o diagnóstico seja feito mais rápido. No caso de um gato com o instinto caçador mais aflorado e que esteja apresentando sinais clínicos, será mais fácil de identificar a platinomose felina. A confirmação do diagnóstico virá a partir do resultados de exames clínicos. 

    “O diagnóstico definitivo é realizado pela detecção dos ovos dos parasitas nas fezes do gato, desde que não haja obstrução total do ducto biliar. A técnica de sedimentação em formalina-éter é a mais indicada para a pesquisa desse parasita. Um exame de ultrassonografia fornece dados importantes sobre o parênquima hepático e vias biliares, assim como auxilia na coleta de bile para avaliação direta. A laparotomia exploratória é outra forma para obtenção de um diagnóstico definitivo para a platinosomose. Ela permite a biópsia do fígado e coleta de material biliar”, esclareceu a especialista.

    Todos esses exames são recomendados justamente por haver outras doenças que apresentam sintomas semelhantes a platinosomose nos gatos. Os cálculos vesicais, por exemplo, também são capazes de entupir o ducto biliar, levando o animal a manifestar sinais parecidos.

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    Platinosomose: tratamento nunca deve ser feito por conta própria

    O tratamento da doença da lagartixa em gatos é feito com a administração de vermífugos específicos para a eliminação do parasita. No caso de complicações, a terapia de suporte para o animal também pode ser adotada. A veterinária Vanessa Zimbres fez um alerta sobre a importância do tratamento ser feito com o auxílio de um profissional especializado: “É importante salientar que vermífugos comuns não são capazes de eliminar o parasita. Apesar de conterem o mesmo princípio ativo, a dosagem para o tratamento é bem mais alta, bem como a frequência de administração, devendo ser prescrita de acordo com o peso do paciente.”

    Doença da lagartixa: gatos criados em casa têm menos chances de contrair a platinosomose

    Embora o tratamento exista e seja viável, a melhor coisa a se fazer é prevenir o pet de contrair a doença da lagartixa. Gato criado sem acesso à rua tem menos chances de contrair a doença. A criação indoor apresenta uma série de benefícios para a saúde do pet, inclusive o aumento da expectativa de vida do animal. As famosas voltinhas são perigosas e aumentam as chances do gato contrair uma série de outras enfermidades graves, como a FIV e a FeLV

    A médica veterinária Vanessa explicou um pouco mais sobre as melhores formas de prevenção da platinosomose felina: “A prevenção é feita evitando o contato dos felinos com os hospedeiros intermediários do parasita. Isso pode ser um pouco difícil diante do instinto predatório da espécie, no entanto, animais restritos à residência são mais difíceis de se contaminarem. Uma atenção especial deve ser dada aos gatos com acesso externo.”

    Redação: Hyago Bandeira

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