Saúde

FIV e FeLV: sintomas, diagnóstico, tratamentos... Um guia completo sobre cuidados para gatos positivos

Saiba sobre FiV e FelV, doenças que atingem os gatos
Saiba sobre FiV e FelV, doenças que atingem os gatos

Um dos principais medos de quem tem um animal de estimação em casa é, sem dúvidas, a possibilidade de eles adoecerem e o quão complicado o tratamento pode ser. Para os donos de gatos, a FIV (Imunodeficiência Felina) - também conhecida como a AIDS felina - e a FeLV (Leucemia Felina) são especialmente preocupantes, já que trazem consequências graves e podem ser, até mesmo, fatais. Para te ajudar a entender mais sobre os sintomas, cuidados e tratamentos de cada uma delas para os gatos que foram infectados, nós conversamos com a veterinária Anne Berenger, do Rio de Janeiro, — ela explicou tudinho aqui embaixo!

Patas da Casa: Como funciona a transmissão de FIV (AIDS felina) entre os gatos?

Anne Berenger: O vírus da FIV é transmitido principalmente através da mordedura, mas o contágio também pode acontecer através de outras vias como o sexo, transfusão sanguínea e da mãe para o filhote. A transmissão entre gatos que vivem juntos de uma maneira amigável (sem brigas), é mais improvável, porém não é impossível.

PC: Quais são os principais sintomas da FIV (AIDS felina)?

AB: A FIV é uma doença silenciosa, portanto, é comum que permaneça de forma assintomática — ou seja, sem alterações clínicas — durante muitos anos. Uma vez que se trata de um retrovírus que baixa a imunidade do paciente, ele se torna mais suscetível à manifestação de sintomas causados por outras doenças, assim como ocorre na AIDS em humanos.

PC: Como funciona a transmissão da FeLV (Leucemia felina) entre os gatos?

AB: A transmissão da FeLV ocorre através de secreções nasais, saliva (bem comum em gatinhos que ficam se lambendo), urina e brigas.

PC: Quais são os principais sintomas da FeLV (Leucemia felina)?

AB: A FeLV, que também é causada por um retrovírus, é uma das enfermidades infectocontagiosas mais preocupantes entre os felinos, podendo gerar quadros agudos de anemia, leucopenia (baixo número de células de defesa) e predispor o animal a alguns tipos de tumores, sendo linfoma o mais comum. Os sintomas mais comuns são: anemia, perda de peso, anorexia, aumento de linfonodos, febre, gengivites e até mesmo alterações comportamentais podem ser observadas.

PC: Existe alguma forma de prevenção para a FIV (AIDS felina) e a FeLV (Leucemia Felina)?

AB: Para prevenir a transmissão dessas doenças, é importante testar os gatos e separar os positivos dos negativos. Além disso, o tutor deve se preocupar em telar o apartamento ou as janelas de casa para impedir que os gatos domésticos tenham acesso e contato aos gatos da rua.

Para a FeLV (Leucemia Felina) existe vacina, mas para FIV (AIDS felina), não. Gatos que vivem semidomiciliados e de ambientes com vários outros indivíduos, configuram grupo de risco e devem ser vacinados. Não recomenda-se vacinar animais que vivem isolados em apartamentos, sem contato com outros gatos, pois não é necessário nestes casos. A castração precoce pode diminuir o risco de infecção, já que dificulta o comportamento de risco do gato — nesse caso, os passeios sem supervisão na rua.

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    PC: Como acontecem os exames feitos para detectar FIV e FeLV?

    AB: Gatos recém-adquiridos, principalmente vindos da rua ou abrigo, sempre devem ser testados, independentemente da idade. O teste FIV e FeLV não possui resultado 100% seguro, pois nenhum teste é de sensibilidade 100%. Podem ocorrer falsos-positivos e falsos-negativos, como em casos de um animal muito filhote (até 6 meses) e/ou pela fase da doença. Em casos em que ainda haja dúvida, é indicado retestar o animal após 30 dias.

    Os testes mais comum são os SNAPs, que são testes sorológicos e dão o resultado em 10 minutos, mas também existem os testes de PCR (pesquisa de RNA do antígeno), que podem ser utilizados em conjunto com os sorológicos auxiliando no diagnóstico.

    PC: Como funciona o tratamento para FIV e FeLV? Existe cura definitiva para essas doenças?

    AB: O tratamento em ambos casos é de suporte, visto que os antivirais humanos recomendados são de difícil acesso. O ideal é fortalecer o sistema imunológico, oferecer alimentação balanceada e de qualidade, cuidados higiênicos, manter a vacinação e vermifugação em dia e, claro, visitas periódicas ao veterinário. Normalmente, um gato com FIV (AIDS felina) vive mais do que um com FeLV (Leucemia felina), pois esta, além de predispor o animal a alguns tipos de tumores, pode causar um quadro agudo de leucopenia (queda de leucócitos) e anemia. Infelizmente, esses animais tendem a desenvolver quadros mais graves precocemente.

    Redação: Ariel Cristina Borges

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