Histórias reais

Como é viver com um cão-guia? Veja o relato de uma pessoa com deficiência visual

Cão-guia: conheça a história da Camila e do Astor
Cão-guia: conheça a história da Camila e do Astor

Auxiliar a vida de pessoas com deficiência visual é a missão do cão-guia. Treinado para agir em diversas situações, esse animal se torna os olhos do seu tutor. A preparação do cão-guia começa ainda nos primeiros meses de vida e seu “trabalho” segue até o início da velhice, quando se aposenta. Esses animais são inteligentes, dotados de doçura e capazes de ter uma ação rápida quando necessário. Mas, como é viver com um cão-guia? Para te responder, conversamos com a Camila Alves, que perdeu a visão na adolescência e hoje tem o suporte do Astor, seu amigo de quatro patas. Conheça essa história!

Cão-guia: como o Astor apareceu na vida da Camila?

A Camila é mineira e se mudou para o Rio de Janeiro depois de passar no vestibular. Ela nasceu com uma doença hereditária chamada retinose pigmentar, que provoca a perda da visão de forma progressiva - geralmente, se manifesta na infância ou adolescência. Camila perdeu a visão completamente quando tinha apenas 15 anos.

A escolha por ter um cão-guia teve um motivo: “eu quis um pela autonomia e liberdade que poderia me proporcionar.” O Astor é um cão-guia Labrador e tem algumas funções essenciais para ajudar na rotina de Camila: desviar de obstáculos baixos, médios e altos, garantir a segurança no deslocamento e encontrar locais essenciais, como entradas e saídas de prédios, cadeiras, balcão, pia e banheiro. O cãozinho também guia Camila ao metrô, trabalho e a própria casa. É, de fato, uma relação de muita confiança!

Como é o treinamento de cão-guia?

O cão-guia não é um animal comercializado. Existem locais específicos que treinam e ensinam como os filhotes devem se comportar e agir em diversas situações. Até ficarem prontos, os cãezinhos vivem com famílias temporárias, que cuidam do animal até aproximadamente 1 ano de vida. Depois disso, eles passam pelo treinamento com um adestrador de cães e pode seguir para o novo dono. Os primeiros meses é de adaptação do peludo com a rotina da pessoa com deficiência visual que o adotou.

Camila adotou o Astor no Instituto Magnus , local onde ele foi treinado. “Ele é o meu segundo cão. A primeira estava para aposentar quando recebi o contato sobre a possibilidade de conhecê-lo. As pessoas que estão fazendo a reposição de seus cães, como era o meu caso, possuem prioridade nessa fila”, explica.

A raça de cão-guia mais comum é o Labrador, mas Pastor Alemão e Rottweiler também podem ser treinados para exercer essa função. Na verdade, o necessário para que o animal seja um cão-guia é ter alguns requisitos de comportamento, como não se distrair com estímulos externos, não ser agressivo, ter foco e facilidade para aprender, além de saber desviar de obstáculos com sagacidade.

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    De acordo com a legislação, o cão-guia pode acessar qualquer local público, mesmo aqueles que não se consideram “pet-friendly”. Infelizmente, a falta de conscientização e de divulgação sobre o assunto, acaba privando a pessoa com deficiência visual de ter acesso aos seus direitos básicos. Camila passou por isso inúmeras vezes: “já aconteceu e ainda acontece! Às vezes brigo, às vezes processo, às vezes deixo passar e às vezes choro! Essa é uma situação de discriminação muito grave. Tento entender as situações e as diferenças de gravidade entre cada uma delas.” A lei ainda prevê multa para estabelecimentos e motoristas que se recusem a transportar o tutor por causa do cachorro.

    Redação: Júlia Cruz

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