Acredite se quiser: o número de gateiros vêm crescendo ao longo dos últimos anos, e muitas casas que antes não tinham nenhum animal de estimação, hoje contam com um (ou mais) gatinho(s). Os cachorros seguem na liderança, mas a busca por gatos para adotar continua aumentando e não é difícil constatar isso. Inclusive, é bem provável que você conheça alguém do seu círculo social ou familiar que decidiu abrir o coração para um bichano recentemente, não é mesmo?

Quais raças de cachorro mais combinam com você?

Preencha todos os campos para participar.

É só preencher e começar!

Escolha uma opção abaixo

Não tenho pets
Tenho cão
Tenho gato
Tenho cão e gato
Autorizo receber comunicações e publicidade da NESTLÉ®.

Quem sabe um dia os gatinhos não consigam desbancar os doguinhos de pets mais populares, mas, brincadeiras à parte, ninguém pode negar que a adoção de gatos está em alta e existem até pesquisas que comprovam isso.

Instituto Pet Brasil indica um aumento de 6% na adoção de gatos

O Censo Pet, levantado pelo Instituto Pet Brasil (IPB) entre 2020 e 2021, apontou um aumento de 6% na busca por gatos para adotar durante a pandemia. É claro que esse número ainda não é páreo para tirar a liderança dos cachorros em números absolutos (são cerca de 58,1 milhões de animais de estimação ao todo), mas foi possível constatar que houve uma mudança significativa na procura por felinos - e é de se esperar que isso continue crescendo.

Segundo os dados da pesquisa, o número de gatos adotados passou de 25,6 milhões para 27,1 milhões no período de um ano. Como o próprio IPB destaca, esse é considerado o maior crescimento anual de felinos desde o início do levantamento, que começou a ser feito em 2018. Atrás dos gatos, ficam os peixes, com um aumento de 4,5%, e em seguida vêm os cachorros, com 4%.

Ong Gatópoles também observou um crescimento na procura para adotar gato

A Gatópoles é uma ong de resgate e adoção animal, com sede em São Paulo, e parceira do Adota Patas, o projeto de adoção do Patas da Casa. A instituição faz o levantamento mensal e anual de gatos adotados desde que foi fundada, em 2013. Analisando o quadro de adoções, desde 2018 o número passa de 140 por ano. Antes disso, ficava em torno de 60 e 70 adoções por ano. Isso, por si só, já é um indicativo de que houve, sim, um aumento na busca por gatos para adotar.

Em 2020, o número chegou a 244 adoções; e em 2021 foram cerca de 205 bichanos adotados, batendo o recorde de 39 pets acolhidos no mês de abril. O segundo maior número de adoções havia sido registrado em maio de 2020, com 32 gatinhos amparados por novas famílias. Para entender melhor esse fluxo, a voluntária Aline Ferreira explica: “A gente teve um aumento significativo no período da pandemia, tiveram alguns meses com números melhores, mas agora já voltou ao normal. Não tem mais tantos picos de adoção como em 2020 e 2021.” Em 2022, o número total de gatos adotados foi de 184 felinos.

Vários adotantes têm escolhido os bichanos como companheiros pela primeira vez

É até difícil acreditar que haja uma preferência maior por gatos do que por cães, mas muitos tutores - ou gateiros - têm dado uma chance para os bichanos pela primeira vez na vida. Esse é o caso da Tatiana La Marca, que adotou um gatinho recentemente chamado Alfredo: “Sempre tive vontade de ter um, mas meus pais não gostavam muito e só quando me mudei que pude finalmente adotar.”

Apesar de Tatiana já ter uma afinidade com os felinos, não é assim que acontece com todo mundo. O estereótipo que acompanha os gatos muitas vezes influencia na decisão das pessoas de querer ou não ter um animal da espécie, e às vezes até alguma situação traumática pode contribuir para isso, como foi o caso da Camilla.

 

O Alfredo ainda é um filhotinho, mas é muito esperto e ama brincar com os tutores

O Alfredo ainda é um filhotinho, mas é muito esperto e ama brincar com os tutores

 

 

“Quando eu era bem pequena, por volta de quatro anos, eu gostava de todos os bichinhos, mas perturbei tanto os gatos da minha tia para brincar que fui invasiva (puxando pela barriga, entre outras coisas) e eles vieram para cima de mim. A partir daí, eu criei uma fobia bizarra, não conseguia nem chegar perto de um gato, porque ficava sem ar. Mas o mundo dá voltas, e agora eu tenho duas gatinhas por quem eu sou apaixonada”, conta.

 

Às vezes é amor à primeira vista, e foi isso que aconteceu com a Camilla. “Eu não queria e nem pensava na possibilidade de ter um gato. Mas quando encontrei a Chloe e a Halle, eu não tive muitas dúvidas. Me apaixonei na hora e acabei ficando com elas.” Já a opinião da Tati é praticamente um consenso: “Sempre achei gatos independentes e tranquilos. Também gosto do pelo fofinho e acho que eles são os pets mais bonitos.”

Como os gatos conquistaram o coração dos brasileiros?

Já deu para perceber que os gatinhos, cada vez mais, têm conquistado um lugar especial no coração dos humanos. Mas o que explica isso? Por muito tempo, os felinos foram vistos como individualistas, distantes e frios. No entanto, cada vez mais essa imagem se apaga e abre espaço para que esses animais sejam reconhecidos pelas suas qualidades. Com a internet, o que não faltam são vídeos fofos de gatos pedindo carinho e mostrando que eles podem, sim, ser muito afetuosos com os donos.

Fofos, espertos e independentes: é assim que os tutores enxergam os bichanos. Não significa que eles não dão trabalho e não exijam atenção, mas só o fato de serem animais “caseiros” e que não precisam de passeios diários como os cachorros já é um ponto positivo para quem leva uma vida mais corrida. Além disso, a rotina divertida com esses pets - que têm os típicos comportamentos de gato bem curiosos - é de deixar qualquer pessoa encantada.

A independência dos gatos é outro ponto que chama a atenção. Como a tutora Tatiana conta, ela nem precisou ensinar nada para o pet: “O lado bom é que eles fazem a própria higiene pessoal e conseguem fazer necessidades básicas sozinhos sem você se preocupar em ter que ensinar. No início, o Alfredo não gostava muito de ficar sozinho, sempre miava pra saber onde a gente tava e só deitava do nosso lado. Quando se acostumou com a casa começou a ter mais segurança pra andar sozinho e deitar sem a gente por perto, mas sempre tá querendo carinho e nossa atenção pra brincar.”

E como é o jeito certo de conquistar um gatinho?

O processo de adaptação de um gato a um novo lar leva tempo. De acordo com Vanessa Zimbres, que é médica veterinária especialista em felinos, os gatos são animais particularmente sensíveis a novos ambientes e tendem a ficar inquietos buscando um esconderijo para não se sentirem vulneráveis.

Por isso, para conquistar o pet, o primeiro passo é fazer com que ele se sinta acolhido na nova casa. “A principal dica é fornecer um local para que ele se esconda e se sinta seguro - como uma toca de gato - e fazer tudo isso dentro de um espaço menor, como um pequeno quarto, para que ele se acostume com cheiros, barulhos e movimentação antes de explorar o resto da casa. Esse pequeno espaço deve ser a área de segurança do felino, com todos os recursos que ele precisa, nos primeiros dias ou semanas. Somente quando ele se sentir seguro, irá, no seu tempo, ampliando seu território de segurança.”

É importante ter em mente que os gatos gostam de previsibilidade do ambiente em que vivem, e o tempo de adaptação depende de cada indivíduo. No início, Vanessa orienta que toda a aproximação seja feita dentro do tempo do animal, sem forçá-lo a nada. “Se aproxime do gato, sente-se perto dele, fale em um tom de voz suave e não fixe o olhar. Deixe que se aproxime no tempo dele, deixe te cheirar e quando ele se sentir confortável e permitir, afague sua cabeça e observe se ele permite carinho nas demais áreas do corpo.”

Se o animal não se sentir confortável com esse tipo de interação, é bom interromper o contato físico e fazer novas tentativas em outro momento. Como a especialista explica, à medida que o bichano vai se familiarizando, a interação se torna mais próxima. O tempo pode variar, mas respeitar o espaço e os limites do pet é fundamental para uma convivência harmoniosa.

 

Adotar um gato mudou a vida da Camilla, que agora é apaixonada pelos bichanos Chloe e Halle

Adotar um gato mudou a vida da Camilla, que agora é apaixonada pelos bichanos Chloe e Halle

 

 

Filhotes são os preferidos na hora da adoção

 

Todo gatinho merece ser amado e bem cuidado, mas na fila da adoção existem alguns bichanos que sempre saem na frente. De acordo com Aline, da ong Gatópoles, os filhotes são muito mais adotáveis do que adultos e idosos. “Dos adultos que a gente resgata, às vezes eles não são adotados e ficam no abrigo até a hora de virar estrelinha ou demoram três, quatro, cinco anos para serem adotados.”

O padrão de cores também influencia na escolha. Segundo a voluntária, os gatos cinzas são os mais queridos e aclamados. Em seguida, vem os gatos laranjas, os brancos, os siameses e os tricolores. Somente depois é que chega a vez dos tigradinhos, gatos pretos e frajolas, que são considerados os mais “comuns”.

Adotar gato é uma atitude que vai mudar a vida do animal (e a sua também!)

Para quem pensa em ter um gato, adotar pode ser a melhor solução! Além de ajudar a diminuir o número de bichinhos abandonados, existem várias ongs que trabalham com o resgate de animais e dão todo o suporte durante a adoção. É importante entender que os felinos podem ter um comportamento diferente do de um cachorro, mas nem por isso eles são menos amáveis e carinhosos com a família.

“Adote um gato sem medo nem preconceitos! Só porque eles são independentes não significa que eles não vão querer sua atenção. Pelo contrário, gatos (ainda mais filhotes) são muito brincalhões e carinhosos, vão ser seus companheirinhos e querer sempre estar por perto”, conta Tatiana, que adotou o Alfredo ainda filhote.

A Camilla, que tinha medo de gatos, hoje não se vê sem a Chloe e a Halle, mas respeita o comportamento das duas e entende que o amor de gato tem um jeitinho único: “Elas são a melhor companhia que eu tenho no meu dia a dia, me dão amor quando querem do jeitinho delas... sem forçar, sem impor. Gato realmente não faz o que não quer. E saber disso e ver o quanto elas ficam felizes e agarradas comigo quando eu chego em casa me mostra que é verdadeiro.”

O processo de adoção varia de instituição para instituição

Cada abrigo trabalha de um jeito diferente. No caso da Gatópoles, o processo é simples e pode ser feito pela própria internet, uma vez que a instituição tem parceria com o projeto Adota Patas. “Os gatinhos ficam disponíveis para adoção somente após castração, vacinação e vermifugação. Às vezes tem vídeo - quando a gente consegue - e também tem as características e a historinha de como ele chegou no abrigo. A pessoa pode tanto escolher pela foto como pode marcar uma visita para conhecer o pet.”

Depois da escolha, é necessário preencher um formulário, onde constam alguns requisitos para se tornar adotante. É importante ser maior de 18 anos, ter uma casa ou apartamento telado e ter condições financeiras para sustentar o bichano. “O nosso formulário é bem transparente.. A gente é bem realista, porque realmente a gente não vai enganar ninguém dizendo que não vai gastar nada. Então a gente já coloca a média de gastos com gato que a pessoa pode ter, até porque às vezes é o primeiro pet da pessoa.”

Nesse formulário, o futuro adotante também precisa indicar quais são as expectativas para ter um bichinho de estimação. Dependendo das respostas, o “match” nem sempre dá certo com o gato escolhido, mas pode ter algum outro companheiro perfeito no abrigo. Para maiores informações, você pode acessar o site da Gatópoles ou do Adota Patas .

Redação: Juliana Melo

Edição: Luana Lopes